A Publicidade e o Gaúcho de Alegrete
24 de Junho de 2011

A Publicidade e o Gaúcho de Alegrete

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1. Em Alegrete, um ladrão mal encarado entra num Banco em Alegrete com um 38 em punho e exige que o caixa lhe passe toda a grana.

O caixa se borrando todo entrega o dinheiro.

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Na saída olha para um cliente e pergunta:

– Se tu é macho me responde … Tu me viu robá esse Banco?

– Sim, eu vi !!!

O ladrão atira nele sem piedade.

Logo em seguida volta-se para outro cliente que está de bombacha

parado ao lado de uma senhora e faz a mesma pergunta:

– Vivente… Tu me viu robá esse Banco?
Eu não, mas a minha sogra aqui viu!…

2. Acaert, Adjori, SinaproSC e AbapSC  reuniram autoridades e personalidades do setor de publicidade do Estado para mostrar o Mercado da Veiculação Publicitária em Santa Catarina em 2011, um maravilhoso trabalho que o Instituto MAPA realiza pela sétima vez.

Apresentados os números do estudo, seguiu-se um debate. Nele, o Secretário da Comunicação do Estado de Santa Catarina, Derly Massaud da Anunciação, pôs o dedo na ferida:
“Faltam apenas, nesse trabalho, pra ele ficar completo, números fornecidos pelas Agências de Publicidade do Estado. Qual o seu faturamento? Quantas pessoas estão envolvidas?”

3. Zeno explicou, então, que  esse era um dos objetivos do Projeto, desde a sua primeira versão, quando Dagoberto Dalsasso, eu e o MAPA  desenhamos o primeiro plano. No entanto, as agências sempre se recusaram a fornecer as informações solicitadas.  

Zeno aproveitou a deixa e fez um dramático apelo às agências, para que elas passem a contribuir.

Presente, Daniel Araújo, presidente da FenaproSC e da AbapSC , comprometeu-se a desenvolver um grande esforço junto às agências para que elas passem a contribuir.

Não vai ser fácil ter êxito.

3. Há muitos anos um grupo de colunistas, ao qual eu pertencia, tentou isso junto às agências brasileiras. A iniciativa foi tão mal recebida, que desistimos.

Alguns anos depois o Salles Neto, do Grupo Meio & Mensagem, assumiu, com sucesso, essa responsabilidade. Mas não foi fácil.

Um episódio, muito conhecido na época, mostra o nível das dificuldades encontradas.

Diz que solicitado a revelar o faturamento da Norton, Geraldo Alonso, o presidente, perguntou:

“O Turquinho já respondeu?”

“Já.”

“Quanto ele declarou?”

“Tanto.”

“Bota mais duzentos mil.”

“Minha agência não vai ficar atrás da dele.”

“Turquinho” é Roberto Duailibi. A ” dele”, como você sabe,  é a DPZ.

4. Anos depois, na qualidade de diretor da Revista Propaganda e incomodado pelo fato de a revista Quem é Quem não citar o setor da publicidade, embora fizesse isso com todos os outros setores da economia brasileira, liguei para o seu diretor. Perguntei:

“Por que você não incluiu o setor publicitário?”

A resposta veio curta e grossa:

“Porque é impossível confiar nos números que fornecem. Essa gente não é  séria.”  

4. Essa gente não é séria.

É assim que nos enxergam, quando escondemos nossas informações.

Também por isso, tomara que o Daniel tenha paciência e capacidade de persuasão na tarefa  que assumiu. Para o bem de todos, vai precisar muito disso.  

5. Caso isso não aconteça, donos e diretores de agências continuarão reagindo que nem o gaúcho de Alegrete. Quando perguntados e tentarem responder com sinceridade, serão fulminados, porque ninguém acreditará. Caso contrário, sem ter ou sem querer ter o que responder, jogarão a culpa na sogra. Isto é, no Cliente.

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