Quando as coisas fecham lá embaixo
16 de Maio de 2012

Quando as coisas fecham lá embaixo

Publicidade

1.   Confusão no corpo humano!

 

Publicidade

Não sei por que cargas dágua, o cérebro resolveu, a gritar e bom som, que é o rei, o principal órgão do corpo.

 

O coração não buscou nem um pouquinho

 

“Êpa, devagar com o andor. Eu, aqui, que oxigênio o corpo inteiro, com o sangue que faço circular, é que se parar, vocês vão para o beleléu.”

 

Só que o pulmão ouviu e também não gostou:

 

“Ei pessoal, é graças a mim que o sangue puro, que ele espalha pelo corpo, não vira veneno. Eu oxigeno ele.”

 

O fígado, que até então se limitou a acompanhar  o bate boca, entrou na briga. Sofisticado, apelou para o Wikipédia. Disse:

Façam o favor de ler isto aqui:

“O fígado (do latim ficatu) é a maior glândula e o segundo maior órgão do corpo humano. Funciona tanto como glândula exócrina, liberando secreções num sistema de canais que se abrem numa superfície externa, como glândula endócrina, uma vez que também libera substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos. Localiza-se no hipocôndrio direito, epigástrio e pequena porção do hipocôndrio esquerdo, sob o diafragma e seu peso aproximado é cerca de 2,250-2,500 kg no homem adulto e um pouco menos na mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui 1/20 do peso total de um recém nascido. Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito.”

“Leram? Então viram que em matéria de importância eu sou imbatível.”

Confusão geral. A discussão se espalhou pelo corpo todo: intestino, rins, pâncreas, não sei mais o que, insistiam em se mostrar mais importantes quando uma vozinha, vindo lá de baixo, gritou:

“Tudo bem,  mas se eu fechar aqui embaixo…”

2.   Fernando Fernandes, presidente da Unilever, disse, em entrevista ao Meio & Mensagem (07.05.2012), em que fala do projeto da empresa para o Brasil.

Entre outras coisas disse que a empresa respeita “muito a criatividade brasileira. Queremos exportar a criatividade e também os nossos relacionamentos com as agências daqui, do Brasil para o mundo.”

Tomara que esteja sendo sincero.

3.   Eu ainda trabalhava na Thompson quando me deram a conta da Unilever para criar. Primeira missão: Omo.

 

Achei que ia dar um banho, naquela época do lava mais branco. Criamos, eu e Clício Barroso, meu diretor de arte, uma série de comerciais. Certo de que ia dar um show, fui apresentar.

 

Falei sobre o briefing e antes de mostrar a primeira ideia, fui interrompido pelo diretor (?) de marketing. Ele retirou da gaveta um livro que chamou de procidium, abriu e, lendo o dito cujo, perguntou:

 

“Essas ideias mostram duas mulheres, conversando, uma perguntando com a outra porque a roupa dela estava mais branca?”

 

Fez mais algumas perguntas do tipo, para as quais a resposta era sempre não, e recusou a campanha. Sem ver.

 

4.   Não sei de hoje o tal procidium, provavelmente em outra versão, ainda existe. A julgar pelo baixo nível criativo das campanhas atuais da Unilever, existe. E, como na história que contei lá em cima, fecha tudo quando aparece uma coisa nova no pedaço.

Desse jeito, presidente nenhum conseguirá levar para outro país algum sintoma da criatividade publicitária brasileira. 

Publicidade
WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter