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O prefeito na contramão
06 de Maio de 2011

O prefeito na contramão

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O prefeito de Floripa aparenta um cidadão teimoso, que rema contra a maré, como se a população estivesse querendo derrubá-lo. O princípio de um homem público é corresponder ao pensamento da população. E ninguém de Floripa é contra a cidade e nem mesmo contra o alcaide. O floripano quer ser, sobretudo, feliz. E este é o papel do governante, proporcionar felicidade à população.

Mas como viver feliz em uma cidade cujo prefeito não enxerga as soluções fáceis? Vou citar alguns probleminhas que acarretam grandes dificuldades na mobilidade de Floripa.

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Neste dia 05/05, uma máquina retro-escavadeira parou no topo do morro do Córrego Grande, em frente ao Horto Florestal, exatamente às 18h05min. É importante lembrar que por essa via, nesse horário, passam centenas de veículos em direção à Itacorubi, Lagoa da Conceição, Barra da Lagoa, etc.
 
No dia 03/05, um caminhão, com carga pesada, entrou na avenida Gama D’Éça, pela Bocaiúva, às 18h40min.

Mais de 90% das sinaleiras para pedestres estão com problemas ou desativadas. E em mais de 85% das esquinas com sinaleiras, não há semáforo orientando os pedestres.
 
Pasmem, uma carroça, coletora de lixo reciclável, circulava na rua Deputado Antônio Edu Vieira, no Pantanal, às 12h20min, momento em que centenas de veículos deixavam a UFSC, a Eletrosul, etc.

É comum sinaleiras de uma via, como a Beira-Mar e Mauro Ramos, não estarem sincronizadas. Além disso, o tempo de mudança entre os sinais verdes e vermelhos das sinaleiras às 3 horas da madrugada é o mesmo das 18 horas, horário do rush.
Também no dia 5/5, um guarda municipal passeava de moto às 8h20min dentro do Horto Florestal, onde dezenas de pessoas praticavam exercício. Enquanto isso, engarrafamentos no Córrego Grande, Beira-Mar, na Trindade.

Na rua Fúlvio Aducci, no Estreito, o proprietário de uma loja coloca, praticamente todos os dias, cavaletes em frente para ninguém estacionar, embora seja uma área pública, apropriada para estacionamento com cartão.

É difícil haver uma rua na Capital cujo passeio esteja impecável, de fácil mobilidade, até para deficientes visuais. Os passeios de  ruas da periferia estão sem calçadas ou tomados por mato, obrigando o cidadão a disputar espaço com os carros.
Do Abrahão a Coqueiros, carros e caminhões ocupam as laterais da via principal, já a partir das 7 horas da manhã, prejudicando sensivelmente o trânsito, que vive engarrafado nos horários de pico.

Mais de 60% dos veículos que acessam a Ilha, entre 6h30min e 10 horas, destinam-se aos órgãos públicos federais, estaduais e municipais, incluindo as universidades. Não adianta construir mais pontes, porque a imobilidade é em toda a ilha.
Você, leitor, poderia fazer duas argumentações: 1) mas esses problemas são pequenos diante de tantos grandes problemas da cidade; 2) como resolvê-los se ocorrem em locais e horários diferentes, fugindo ao controle?

A cidade que não consegue resolver seus pequenos problemas, com certeza será incapaz de enxergar soluções para as dificuldades maiores. Ou, de maneira atabalhoada, investe em mega-soluções e esquece as pequenas coisas que causam estresse à população. O engarrafamento entre Abrahão e Coqueiros, por exemplo, poderia ser minimizado proibindo estacionamento nos horários do rush.  Em São Paulo, há leis severas que proíbem a circulação de caminhões em áreas centrais. Um software é capaz de sincronizar os semáforos, adequando o tempo de mudança de cores ao movimento de veículos. Instituir horários para o início diferenciado dos expedientes de atividades, que provocam maior demanda de veículos na ponte Pedro Ivo, com certeza reduziria o engarrafamento. Ou começar logo o processo de retirada de órgãos públicos da Ilha. Por que não concentrar todas as atividades do governo estadual na área onde está o Exército, no Estreito, por exemplo? Por que a Receita Federal, OAB, etc. precisam estar na avenida Beira-Mar?

O que realmente falta à cidade de Floripa é organização, gestão de qualidade. Um trator atravessaria a avenida Mauro Ramos se houvesse uma lei proibindo certos horários? Um caminhão sairia abarrotado de barro de uma obra na Gama D’Eça sem autorização prévia da Prefeitura se houve uma lei proibindo? Um guarda municipal estaria às 8h20min dentro do Horto Florestal com a sua moto se o comando da guarnição estivesse preocupado com o trânsito?

Se a Prefeitura conseguiu melhorar, substancialmente, as escolas básicas e as policlínicas, por que também não escolhe técnicos da competência dos secretários Rodolfo Pinto da Luz, da Educação, e João Cândido da Silva, da Saúde, paras outras áreas problemáticas? Claro que isso não seria suficiente, porque a cidade precisa de um plano diretor eficiente e de planejamento, ausentes há mais de 10 anos.

Floripa tem solução sim. Falta-lhe gestão moderna e, sobretudo, comprometida eticamente com a população.

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