Pra começar uma semana feliz, que tal essa?
Trocar a música “mais ouvida” por uma que fala da sua vida?
Aquela quase esquecida… Até que cantando junto,
relembramos cada verso. Como um eco… Como se fôramos o assunto.
Por que só a música detém este poder, de flutuar alheia ao tempo,
realocar o nosso centro,
conduzindo ao passado, bem guardado, imperecível,
à sensação que empodera, de se sentir invencível,
a um futuro menos suscetível,
lá longe, onde já sanamos o que, hoje,
nos impede de dizer que tudo é perfeito.
Ah! Como é bom, quando uma música pega de jeito,
traduz o que pensamos, sentimos,
como se daquela estrofe, fôssemos nós o sujeito.
Nos meus 15 anos, nos tempos de LP e fita K7,
uma das visitas trouxe “I just called to say I love you”,
clássico de Steve Wonder que escutei até “rasgar”.
(porque com fita é assim: quanto mais eu gosto, mais ela se gasta).
Passados 35 anos, dando o start pra maratona de festas dos 50,
chego ao aniversário da Chris, amada desde a infância, e adivinha…
“I just called to say I love you”, ecoando em plena pista, me ressuscita!
Porque a música da nossa vida identifica os amigos, rouba nossos ouvidos,
solta a nossa voz, delega ao coração uma overdose de emoção.
Na formatura do meu marido,
quando eu, no papel de noiva, acompanhei toda orgulhosa o êxito daquela missão,
o diploma de Engenheiro Eletricista veio ao som da banda Queen.
“We are the champions”, entre milhares de outras músicas,
foi a eleita por ele pro start de uma carreira onde provou ser campeão:
Mestre e Doutor pela UFSC, professor universitário, servidor federal.
Então imagina a comoção… nesta noite de domingo, quando esta foi a canção
trazida ao palco no bis, na Arena Petry, do show homologado pelo próprio Queen.
Produzido por Roger Tayor e Brian May, baterista e guitarrista da banda original, que selecionaram cada músico do tributo ao Queen forjado em greatest hits, “The Queen Extravaganza” percorreu os Estados Unidos e o Canadá em mais de 60 shows. A turnê nacional, iniciada neste fim de semana em Curitiba, segue agora até 1º de junho, com gran finale no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e um vocalista – prata da casa – digno dos melhores palcos do mundo.
Ex-aluno de Rute Gebler, de quem mereceu a “sentença” de que o seu talento o levaria muito longe, Alírio Netto cantou pela primeira vez com uma orquestra justamente em dueto com a professora, no Centro Integrado de Cultura, em 1997. Nos 20 anos do Vozes da Primavera, em 2015, tive o privilégio de assistir ao replay, aplaudindo a total simbiose de Alírio e Rute, tal qual Freddie Mercury e Montserrat Caballé, na romântica e hipnótica “How can I go on”.
Anos mais tarde, consagrado como ator de musicais no Brasil e no México, protagonista do show “We will rock you”, como bem sugere o nome, dedicado ao Queen, aclamado pela mídia, do Estado de São Paulo ao Domingão do Faustão, Alírio volta a Floripa para o exigente papel da “criatura”, na ópera-rock longa-metragem, com três horas de duração, “Frankenstein”. Não bastasse o privilégio de estar ali, para aplaudir a total simbiose de Alírio com a Camerata Florianópolis e os roqueiros convidados, no dia seguinte ainda tive bis. Escalado pela banda Snakesun, Alírio cantou no Centrosul – e claro que foi Queen –, no show de esquenta da banda Blitz.
No espetáculo Queen Experience, no teatro do CIC, também foi assim: uma palhinha como convidado e todos, feito súditos, já se rendem ao showman. Com quatro experiências surpreendentes, imagina minha expectativa pra ver Alírio interpretando Freddie Mercury sem deixar de ser Alírio. Transparecendo no palco toda a sua fluência vocal, a confiança, o charme. Sem “cair no rito” de imitar o mito.
No violão, no teclado, na voz de alcance infinito, Alírio foi Alírio. E ponto. E provou estar pronto pras todas as extravagâncias que hão de suceder ao Queen Extravaganza. Que privilégio estar ali, pertinho do palco na Arena Petry, cantando, vibrando e pensando: se Freddie Mercury estivesse aqui, como ele iria aplaudir.

