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Coluna Ana Lavratti: Yes, we are the champions
27 de Maio de 2019

Coluna Ana Lavratti: Yes, we are the champions

Por Ana Lavratti 27 de Maio de 2019 | Atualizado 27 de Maio de 2019

 

Pra começar uma semana feliz, que tal essa?

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Trocar a música “mais ouvida” por uma que fala da sua vida?

Aquela quase esquecida… Até que cantando junto,

relembramos cada verso. Como um eco… Como se fôramos o assunto.

 

Por que só a música detém este poder, de flutuar alheia ao tempo,

realocar o nosso centro,

conduzindo ao passado, bem guardado, imperecível,

à sensação que empodera, de se sentir invencível,

a um futuro menos suscetível,

lá longe, onde já sanamos o que, hoje,

nos impede de dizer que tudo é perfeito.

Ah! Como é bom, quando uma música pega de jeito,

traduz o que pensamos, sentimos,

como se daquela estrofe, fôssemos nós o sujeito.

 

Nos meus 15 anos, nos tempos de LP e fita K7,

uma das visitas trouxe “I just called to say I love you”,

clássico de Steve Wonder que escutei até “rasgar”.

(porque com fita é assim: quanto mais eu gosto, mais ela se gasta).

Passados 35 anos, dando o start pra maratona de festas dos 50,

chego ao aniversário da Chris, amada desde a infância, e adivinha…

“I just called to say I love you”, ecoando em plena pista, me ressuscita!

Porque a música da nossa vida identifica os amigos, rouba nossos ouvidos,

solta a nossa voz, delega ao coração uma overdose de emoção.

 

Na formatura do meu marido,

quando eu, no papel de noiva, acompanhei toda orgulhosa o êxito daquela missão,

o diploma de Engenheiro Eletricista veio ao som da banda Queen.

“We are the champions”, entre milhares de outras músicas,

foi a eleita por ele pro start de uma carreira onde provou ser campeão:

Mestre e Doutor pela UFSC, professor universitário, servidor federal.

Então imagina a comoção… nesta noite de domingo, quando esta foi a canção

trazida ao palco no bis, na Arena Petry, do show homologado pelo próprio Queen.

 

 

Produzido por Roger Tayor e Brian May, baterista e guitarrista da banda original, que selecionaram cada músico do tributo ao Queen forjado em greatest hits, “The Queen Extravaganza” percorreu os Estados Unidos e o Canadá em mais de 60 shows. A turnê nacional, iniciada neste fim de semana em Curitiba, segue agora até 1º de junho, com gran finale no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e um vocalista – prata da casa – digno dos melhores palcos do mundo.

 

Ex-aluno de Rute Gebler, de quem mereceu a “sentença” de que o seu talento o levaria muito longe, Alírio Netto cantou pela primeira vez com uma orquestra justamente em dueto com a professora, no Centro Integrado de Cultura, em 1997. Nos 20 anos do Vozes da Primavera, em 2015, tive o privilégio de assistir ao replay, aplaudindo a total simbiose de Alírio e Rute, tal qual Freddie Mercury e Montserrat Caballé, na romântica e hipnótica “How can I go on”.

 

Anos mais tarde, consagrado como ator de musicais no Brasil e no México, protagonista do show “We will rock you”, como bem sugere o nome, dedicado ao Queen, aclamado pela mídia, do Estado de São Paulo ao Domingão do Faustão, Alírio volta a Floripa para o exigente papel da “criatura”, na ópera-rock longa-metragem, com três horas de duração, “Frankenstein”. Não bastasse o privilégio de estar ali, para aplaudir a total simbiose de Alírio com a Camerata Florianópolis e os roqueiros convidados, no dia seguinte ainda tive bis. Escalado pela banda Snakesun, Alírio cantou no Centrosul – e claro que foi Queen –, no show de esquenta da banda Blitz.

 

No espetáculo Queen Experience, no teatro do CIC, também foi assim: uma palhinha como convidado e todos, feito súditos, já se rendem ao showman. Com quatro experiências surpreendentes, imagina minha expectativa pra ver Alírio interpretando Freddie Mercury sem deixar de ser Alírio. Transparecendo no palco toda a sua fluência vocal, a confiança, o charme. Sem “cair no rito” de imitar o mito.

 

 

No violão, no teclado, na voz de alcance infinito, Alírio foi Alírio. E ponto. E provou estar pronto pras todas as extravagâncias que hão de suceder ao Queen Extravaganza. Que privilégio estar ali, pertinho do palco na Arena Petry, cantando, vibrando e pensando: se Freddie Mercury estivesse aqui, como ele iria aplaudir.

 

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