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Sejamos realistas e exijamos o impossível ? 3
11 de Abril de 2011

Sejamos realistas e exijamos o impossível ? 3

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Santa Catarina se destaca pelas marcas de renome que seu mercado ostenta nos cenários nacional e na América do Sul. Mas, ao mesmo tempo sofre de um complexo de modéstia que ainda hoje persiste. Principalamentde no segmento da indústria – o que é um paradoxo, pois é nesse setor que estão maiores corporações da economia estadual. Com raras exceções, nossos líderes empresariais mantêm-se voltados para a produção, deixando as questões de relacionamento com o mercado para um segundo plano.

Esse comportamento acanhado refletiu-se no desenvolvimento inicial do negócio da propaganda tanto na capital como nos demais pólos sócio-econômicos do Estado. Isso se observa com clareza quando analisamos o desenvolvimento do mercado publicitário catarinense, particularmente no período de 1960 até meados de 1990. Observe, por exemplo, a leitura feita por José Hamilton Martinelli no livro dos 25 anos da Propague. Ao mesmo tempo em que ele identifica a atratividade que existe entre a empresa industrial e a empresa de comunicação, ele também mostra que esses dois tipos de empreendimento, em Santa Catarina ao invés de se apoiarem, se distanciaram e com isso criaram as condições para a chegada das maiores agência brasileiras e multinacionais, inibindo o desenvolvimento dos empreendedores locais.
Quando fala de pioneirismo ele afirma: “Por sua pujança industrial era natural que Joinville atraísse a vinda de agências nacionais e multinacionais”. Quer dizer, a falta de interação era tão evidente que chegava a ser percebida como “natural”.
 
Não obstante essa realidade havia quem pensasse diferente e se dispunha a “exigir o impossível”. Aliás, o próprio Martinelli, se refere a vários deles quando disse: “Em 1970, Eloy Struwe fundou a VE Publicidade, que chegou a manter um escritório em São Paulo para atender sua principal conta:  o Grupo Hansen. A agência, no entanto não sobreviveu  à perda desse cliente”.
 
A agência morreu, mas a semente permaneceu. César Struwe, irmão de Eloy que atuara como assistente de contato da MAM, de São Paulo, comprou o espólio da VE e transformou-a na Stalo Propaganda, “que detém o mérito de ter sido a primeira agência a arrebatar o Prêmio Colunistas: em1978 foi eleita a agência do ano” e completa Martinelli: “Revendida para a Standard, empresa americana, tornou-se a filial da primeira agência multinacional instalada em Santa Catarina. Posteriormente César Struwe intermediou a venda da Standard para o Grupo Hansen e tornou a dirigir essa primeira house chamada JHN, que alcançou grande destaque e alto faturamento”. 
 
A partir daí, as agências de maior porte continuaram chegando e se instalando em terras Catarina. A multinacional Núcleo Sul Publicidade SC também investiu em Joinville comprando a JHN e tornando-se assim na segunda no ranking catarinense. O relato de Martinelli continua com o registro de que também a Exclam, de Curitiba amplia seus laços com a filial de Joinville e que nesse mesmo período destacou-se também o trabalho  dos publicitários Paulo Brüning e Orlando Oliveira dirigindo o escritório local da Equipe, também agência curitibana.
 
Já em Blumenau, segundo maior pólo industrial de Santa Catarina, o negócio da propaganda, em termos de empreendimento empresarial local, começou com a iniciativa de Wilson de Freitas Melro de fundar a SC Publicidade. Melro que já dirigia as Emissoras Coligadas de Rádio e a TV Coligadas de Blumenau, por indicação de Flávio Coelho, seu diretor comercial na televisão, contatou e conseguiu a participação societária do publicitário Marcos Pereira de São Paulo para comandar o negócio. Marcos Pereira por sua vez contratou o publicitário paulista Romeu Lourenção para gerenciar a nova agência. Lourenção que até então trabalhava como contato na Editora Abril conhecia o mercado catarinense e era conhecido pelo empresariado do Vale do Itajaí.
 
Contando esse episódio Martinelli, no livro da Propague, recorda que foi com Lourenção que “o mercado começou realmente a ser desbravado” e acrescenta: “De início (Lourenção) substituiu Freitas Melro na direção da SC Publicidade; depois trabalhou na empresa Industrial Garcia e, ao cabo de dois anos, fundo sua própria agência: a Magna”.
 
Até a próxima semana aqui no nosso Ponto de Encontro.

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