Na década de 1960 falava-se muito em planejamento, pois o país vivia intensamente a época desenvolvimentista implantada e consagrada ainda nos anos cinquenta pelo governo de Juscelino Kubitschek. Aliás, JK por conta disso, foi chamado por Juca Chaves – o menestrel da maledicência – de “presidente bossa nova” quando escreveu a modinha que começava assim: “Bossa nova, mesmo, é ser presidente | desta terra descoberta por Cabral | para tanto, basta ser, tão simplesmente, | simpático, risonho, original”.
Os ares das novidades ressoavam também por Santa Catarina. Irineu Bornhausen, no seu governo implantara o conceito de planejamento nas coisas do Estado, criara uma assessoria de comunicação social e desbravara a serra do Rio do Rastro abrindo uma estrada até então considerada impossível.
Celso Ramos se elege governador no final de 1960 e começa a nova década lançando formalmente o Plano de Metas todo pensado segundo a cartilha do desenvolvimento que elegia a ação de governo pensada e planejada nos campos da educação, rodovias, energia elétrica e crédito pessoal e empresarial.
O que era promessa de campanha de governo passava a ser o desafio para a ação governamental de um líder que vinha da indústria e do comércio, sem experiência vivida no campo da política. Celso Ramos fora presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina e conhecia o potencial da gente e do empresariado – conhecia o “mercado”, portanto.
Na economia, algumas grandes empresas catarinenses tinham projeção nacional: Tupy, de Joinville; Artex e Hering, de Blumenau; Renaux, Schloesser e Büettner, de Brusque; Sadia, de Concórdia; Perdigão de Videira; DAIC der Chapecó e o império da indústria carbonífera do Sul.
Faltam instrumentos operacionais básicos para acelerar a ação dessa riqueza e esse recurso teria de vir do governo. Assim surge o BDE – Banco de Desenvolvimento de Santa Catarina, depois BESC que interfere positivamente no desenvolvimento econômico e tem reflexos no aumento da produção agrícola; prosperam as agroindústrias e impõe-se a implantação dos grandes eixos rodoviários para escoamento da riqueza que aflora. (Martinelli, 1988).
Nesse processo um dos maiores obstáculos enfrentados estava no campo das comunicações: sistema de telefonia arcaico e limitado, veículos de comunicação social regionalizados, portanto, sem cobertura estadual e estradas intransitáveis nas épocas de chuva.
Sensível a essas limitações o governo trata de criar uma estrutura de comunicação inédita. O Gabinete de Relações Públicas foi composto com profissionais de reconhecida competência nas áreas de jornalismo, fotografia, cinema (tele-jornal), radiojornalismo, propaganda, promoção e eventos.
Nosso mundo publicitário, à época, restringia-se a atividade de corretores (contatos publicitários) que atuavam nos jornais e rádios, muitos como funcionários desses veículos de comunicação. Agências, duas em Florianópolis, uma em Joinville e uma ou duas em Blumenau; todas voltadas para a iniciativa privada. Aliás, nessa época pensar em governo ou empresa governamental como anunciante era considerado delírio completo, por mais sonhador que fosse o empresário ou profissional de propaganda. Daí, chegar a pensar em “exigir o impossível” era caso de camisa de força – uma coisa tão distante como os tempos da corte da rainha Vitoria do Reino Unido lá pelo meio do século XIX.
Até a próxima semana aqui no nosso Ponto de Encontro.
