por Emerson Santos*
A comunicação sempre é um bom termômetro pra medir o momento econômico do país.
E não estou falando somente de corte de investimento.
Em momentos desfavoráveis, o desespero impera, e a gritaria toma conta nas ações de comunicação.
Sim, gritaria. A marca, sua essência e seu propósito são totalmente ignorados.
O que vemos são toneladas de e-mails marketing, caminhões de e-books chatos que ninguém lê e a palavra de ordem é o “lead”.
Estamos numa vala comum, entupida de conteúdo sem sentido, sem personalidade e desinteressante. E o pior, tudo igual. Sim, as empresas de automação de marketing, entupiram as redes sociais, sites e blogs com comodites de conteúdo.
Para marcas que se renderam a essa febre de uma forma deslumbrada e amadora, é um caminho que pode não ter volta. Outras talvez consigam perceber, antes que seja tarde, que o que parecia ser um atalho para driblar a crise é na verdade um beco sem saída.
Mas sou otimista e penso que essa fase está com os dias contados. Até porque quando os resultados esperados não acontecem, a ficha vai caindo de erro em erro.
Inevitavelmente os trabalhos focados na marca voltam a ter a relevância necessária. Relevância essa que nunca deveria ter se perdido.
Não penso que as ferramentas de automação de marketing não devem ser usadas, pelo contrário. Mas usá-las como única forma de venda e não trabalhar mais sua marca para que ela seja desejada? Isso sim é um grande erro.
Nosso trabalho, aos poucos, volta a ter a sua importância percebida. Mas fiquemos atentos, porque os meios e a forma como expomos, esses sim, mudaram muito, e não têm volta.
Estratégia e criatividade, mais do que nunca, caminham lado a lado.
Foco nos diferenciais competitivos de nossos clientes e muita personalidade e veracidade na comunicação.
Essa é a receitinha pra retomada da percepação de valor das empresas de comunicação.
* Emerson Santos é publicitário e sócio-fundador da Limão Comunicação
