Clube dos 100 Amigos comemora 20 anos e lança livro com prefácio de Roberto Duailibi
21 de Junho de 2018

Clube dos 100 Amigos comemora 20 anos e lança livro com prefácio de Roberto Duailibi

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O Clube dos 100 é formado por publicitários com o objetivo de manter as raízes históricas do mercado publicitário

 

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Será lançado no próximo dia 28 o livro É o que parece! que reúne em suas 240 páginas, 41 autores e 65 casos narrados pelos mais consagrados profissionais do mercado publicitário, da promoção, da produção publicitária, de veículos de comunicação, jornalistas e advogados. As narrativas contam experiências vividas durante mais de cinco décadas, num dos períodos mais significativos da atividade publicitária no Brasil. Para o prefácio, foi convidado o publicitário Roberto Duailibi, fundador da lendária DPZ Propaganda.

O livro é uma iniciativa do Clube dos 100 Amigos, que este ano comemora seu 20º aniversário. O Clube foi fundado por alguns profissionais, mas com o tempo foi agregando novos, formando um grupo cujo objetivo é manter as raízes históricas do mercado da comunicação publicitária. Os encontros desses amigos são realizados periodicamente durante almoços festivos, onde temas atuais são discutidos sem pressa e livre de qualquer compromisso.

Duailibi, em seu texto, faz um resgate histórico  desde os anos 1955 até os nossos dias, destacando o quanto a propaganda tem contribuído para a economia de livre iniciativa. Além disso, lembra também de como surgiram entidades de defesa do setor como a Abap (Associação Brasileira de Propaganda), Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), APP (Associação dos Profissionais da Propaganda), Grupo de Mídia, a criação da ESPM.

Na sequência, o prefácio de Roberto Duailibi:

A geração do Clube dos 100        

                 Roberto Duailibi

        

                 Mais do que escrever o prefácio para a edição comemorativa dos 20 anos do Clube dos 100, eu gostaria de prestar uma homenagem sincera a essa geração que conseguiu significativas vitórias em seu tempo de trabalho, no período histórico entre 1955 e 2018.

        

                 Muitos de seus membros começaram a trabalhar na década de 50, quando a propaganda estava ainda emergindo da “era dos corretores” e começando a formar profissionais voltados para prestar serviço ao cliente, aos fornecedores e aos veículos — mas principalmente aos consumidores. O mais antigo deles — cujo nome não vou citar, jornalista famoso — começou a trabalhar em 1956, aos 14 anos de idade; naquele tempo, começava-se a trabalhar muito cedo e ninguém se envergonhava disso.

        

                 Estávamos saindo de uma época de desunião e de concorrência feroz em que o mais forte ou mais esperto vencia o mais competente ou o mais talentoso. Parte da cultura da época impunha que qualquer pessoa que administrasse dinheiro pedia um pedaço para si mesmo ou até para outros diretores da empresa, incluindo os presidentes.

        

                 Muitos veículos, agências e fornecedores viam-se obrigados a aderir a esse sistema, enquanto alguns aproveitavam-se dele para oferecer vantagens que imaginavam arrancar depois de veículos e fornecedores.

        

                 Os membros desse clube dos 100 não foram os primeiros a se rebelar contra esse sistema, mas foram as pessoas que, como se agissem com um espírito coletivo de justiça, aprofundaram a luta pela escolha através do mérito, o que ajudou, em seu tempo, a aprimorar a criação, o planejamento e as pesquisas no Brasil. A maior parte dos amigos do Clube dos 100 pertence à Mídia, seja como veículo, seja como profissional de Mídia. Eles dedicaram sua vida em prol da seriedade e do profissionalismo da atividade no Brasil. O Grupo de Mídia, associação que agiu como a matriz dessa evolução, completa 50 anos em 2018.

        

                 Foram alguns dos membros desse Clube dos 100 que fundaram a Associação Paulista de Propaganda, a primeira entidade a pensar num Código de Ética e na regulamentação da profissão; foram eles que criaram a Abap, que durante muitos anos centralizou as lutas pela dignidade da classe; foi sua geração que fundou e deu sentido à Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo, que acabou se transformando na ESPM, um orgulho da classe; muitos dos que aqui estão foram alunos da Escola e deram aulas na entidade ou ainda são seus conselheiros; foram eles que subscreveram a Lei 4.680, que deu condições de trabalho aos que exercem esse ofício; foram vários deles que falaram pela primeira vez em Defesa do Consumidor e criaram o Procon; foram inúmeros deles que, liderados por Roberto Civita e Mauro Sales, repudiaram a interferência do governo na criação publicitária e fundaram o Conar, que auto-regulamenta as propostas anunciadas e aumenta a credibilidade das mensagens; foram eles que, sempre apoiados por Roberto Marinho, ajudaram a crescer a Rede Globo, assim como o SBT, a Record, e ainda colaboram com o Grupo Bandeirantes, que nunca negou seu apoio à sua luta; foram alguns desses profissionais que lançaram Veja, Manchete, Época, e as outras revistas que, junto à Folha, ao Estadão, ao O Globo, à Zero Hora, Valor Econômico e ao Correio Braziliense e a outros jornais de todas as capitais do Brasil, ajudam a manter viva a mídia impressa; foram eles que sentiram em suas próprias almas o desaparecimento da Gazeta Mercantil, do grupo Manchete, do Jornal do Brasil; foram eles os primeiros a usar computadores em suas casas e suas agências; foram os primeiros a usar a palavra “internet”, “Wi-Fi”, “Bluetooth”, “digital” e todo o glossário de novos termos que surgem todos os dias; foram os primeiros a explicar a seus clientes as novas formas de comunicar, que não eliminam e nem diminuem a importância dos jornais, das revistas, da televisão, do rádio, dos cartazes, dos volantes, dos folhetos.

        

                 Olho a lista dos membros do Clube dos 100 e vejo só amigos pessoais — e concluo que eles também são amigos entre si. (Descubro também que nunca fui convidado a fazer parte do Clube, talvez por ser ainda muito criança). E esse é o segredo porque foram eles que deram dignidade à nossa profissão: sim, competiam entre si em seu tempo de trabalho intenso, mas uniam-se quando havia causas comuns a defender. Fora do ambiente competitivo, respeitavam-se como criaturas humanas, como membros da mesma classe e cultivavam o que faz muita falta hoje em dia, a CORDIALIDADE — como o nome diz, a aproximação pelo coração.

        

                 Olho os seus nomes e constato que nenhum deles meteu-se nas encrencas que envolveram os publicitários nos últimos tempos. Passaram por todos os terremotos políticos e planos econômicos desde Getúlio, Juscelino, Jânio, Jango, Castelo, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer, e chegam a uma idade em que podem desfrutar de uma velhice com dignidade.

        

                 Sinto falta dos nomes de algumas mulheres que, entre 1955 e 2018, colaboraram para nossa profissão e ainda estão ativas. Lembro-me, por exemplo, de Hilda Ulbricht e Neusa Rodrigues, entre outras.

        

                 Finalmente, olho esses nomes e lembro-me também dos que se foram recentemente — Petrônio, Altino, Luiz Sales —, o que nos faz refletir sobre a brevidade da vida, motivo porque queiramos, todos, como cada um dos membros do Clube, deixar uma memória de honra, trabalho e alegria de viver.

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