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A força da rede e a praça é nossa.
25 de Fevereiro de 2011

A força da rede e a praça é nossa.

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Impressionante o que está acontecendo nos paises árabes, onde foi aceso um rastilho que, graças ao resultado no Egito, está abalando toda a região. Isso tem gerado todo tipo de comentários sobre a força do povo e da internet, mas o que fica obvio é que os dois vetores, agindo sobre o mesmo ponto, resultam provavelmente imbatíveis. A verdade é que a história está sendo escrita a partir de outros pressupostos, o que traz uma fascinante expectativa para os futuros acontecimentos.

Entre nós, até onde alcança minha memória, poucas vezes vimos o povo na rua em grandes mobilizações, sendo talvez as maiores exceções a marcha das mulheres que precedeu o golpe de 1964 e os jovens cara-pintadas pelo impeachment do presidente Collor. Isso me faz lembrar de um movimento de estudantes nas ruas centrais de São Paulo, já nem sei mais por quê, contra o qual a polícia usava a cavalaria; na rua 24 de Maio, os cavalos, que entraram encurralando um grupo em fuga, derraparam nas  milhares de bolinhas de gude que haviam sido ali atiradas, os cavaleiros lutando para não cair, muito mais do que se incomodando com a gente – mais romantismo do que verdadeiramente luta por ideais, como se viu na praça do Egito.

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Fica antão a pergunta: por que será que o brasileiro tem dado tão poucas e pequenas demonstrações de vontade coletiva? Os sociólogos tentam explicar, apelam para nosso DNA cultural, mas ainda assim é estranho. A não ser, claro, que vivêssemos num cenário de Finlândia, o que está literal e conceitualmente  distante da nossa realidade, milhares de quilômetros.

Será que a rede internacional pode mudar isso?

Existem organizações internacionais como a Avaaz e outras, que fazem apelos humanitários, colhendo adesões pela internet – um exemplo de mobilização novo, com resultados impressionantes. Ainda agora está circulando um e-mail pedindo o bloqueio dos bens de Mubarak, como outros já passaram por nós, em defesa de Sakineh, a viúva condenada a lapidação; ou dos espécimes em extinção; ou dos flagelados em catástrofes; e mais um monte de pedidos sem dúvida muito meritórios e elogiáveis. É possível que, como eu, você até tenha assinado alguma dessas listas.

Ora, seguindo a mesma linha de raciocínio, por que não se empenham essas e/ou outras organizações em lutar por anseios do nosso povo? Sakineh, Mubarak, Bahrein, Líbia, Iêmen, focas e ursos polares são temas validos, mas não são igualmente os nossos domésticos?

Nas fotos que nos chegam dos paises árabes podemos ver, entre as faixas de protesto, “fim da corrupção” e “reformas democráticas”. Por mais que sejam diferentes, em tamanho e gravidade, os problemas dos nossos povos, essas faixas ficariam bem nas nossas praças, não?

Afinal, como disse o saudoso Manuel de Nóbrega, a praça e nossa e a rede está aí para dar uma força.

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