Nas últimas segunda e terça-feira (dias 28 e 29 de maio), tive o privilégio de ser um dos jurados do Profissionais do Ano, premiação realizada em São Paulo que está em sua 40a edição. Durante o processo foram analisados 843 comerciais de todo o Brasil, o que corresponde a aproximadamente 9 horas de exibição. Claro que não precisei assistir a tudo isso. Os comerciais das categorias Campanha e Mercado foram divididos em regiões, enquanto os da categoria Institucional concorreram todos entre si, independentemente da região de veiculação.
O júri foi composto por mais de 60 profissionais das áreas de criação, direção de comerciais, escolas de comunicação, entidades de classe e representantes da Globo e incluiu grandes nomes da propaganda, como Fábio Fernandes, Ricardo Chester, Wilson Mateos e Renato Cavalher. Os jurados foram sorteados para compor os júris nacional e regional, cabendo a mim fazer parte do júri responsável pelo julgamento das campanhas e dos comerciais das regiões Norte e Nordeste.
Mesmo sendo um festival com inscrições gratuitas, o que facilita a participação de agências menores, o nível era alto. Dos 113 comerciais avaliados, apenas 3 ou 4 eram de varejo puro, sem qualquer brilho criativo. Interessante também notar a diferença, em relação ao nosso mercado, na média de qualidade da produção audiovisual, que muitas vezes pecava pela simplicidade excessiva e falta de apuro estético.
Isso acontece porque a mídia nas regiões Norte e Nordeste é mais barata do que na região Sul, o que influencia também os valores de produção. Conversando com profissionais dessas regiões, descobri que lá o investimento para a produção de um comercial dificilmente ultrapassa R$ 40 mil. Ainda bem que essa falta de produção é compensada com muita criatividade. Tanto que um dos grandes favoritos para vencedor do Profissionais do Ano dessa regional é uma campanha de comerciais feita inteiramente com fotos, em que a grande estrela é o texto inspiradíssimo e um conceito forte e verdadeiro.
Foi realmente uma experiência bastante positiva, tanto pela oportunidade de assistir a excelentes comerciais, com sotaques, estilos e linguagens diferentes dos que temos aqui, como pelos momentos de descontração e troca de ideias entre jurados e executivos da Globo proporcionados pela impecável organização da emissora.
