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Coluna Ana Lavratti: Quando a fé é inteira não existe bênção pela metade
09 de Abril de 2018

Coluna Ana Lavratti: Quando a fé é inteira não existe bênção pela metade

Por Ana Lavratti 09 de Abril de 2018 | Atualizado 09 de Abril de 2018

Na nova sociedade movida a redes sociais. Com vínculos baseados em uma foto. Com amizades descartáveis destituídas em um clique. Conexões alheias ao convívio. Laços tão frouxos que priorizam likes automatizados sobre a ligação bilateral. Porque esta exige esforço, entendimento, tem encargos e sujeições. Neste cenário cheio de filtros, cheio de divas, cheio de festas top das galáxias, quanta contradição… não raro o vazio lota o coração! Por isso neste domingo nossa manhã foi off. Conectada em Cristo. Com a família unida na fé, reunida na igreja, festejando a Primeira Comunhão da minha filha. A real comunhão com um legado milenar.

A Palavra que promete, que protege, que pra nós sempre cumpriu suas premissas. “Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios. Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos. E aos que predestinou, também os chamou: e aos que chamou, também os justificou; e aos que justificou, também os glorificou. Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Romanos, 8:28-32

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Com especial orgulho, revi todo o esforço dispensado à catequese durante mais de dois anos. Levar, trazer, convencer que mesmo estudando em período integral os encontros caberiam na agenda da noite. E quando enfim a minha filha recebeu a Eucaristia, não teve festa nem presente, só família em harmonia, porque nenhuma joia faz jus ao que ela ganhou por si: a certeza de consolo perene, amigo onipresente, bênçãos concedidas… Não no meu tempo, leigo, parcial e impaciente. Mas ao tempo de Deus, relator dos meus desígnios, provedor sensível, sensato e sem limites no seu amor.

 “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á” Mateus 7:7-9. Um dia, confesso, eu pedi esta filha. Pedi a Deus a versão viva da boneca que me acompanha desde a infância. Loira, fofa e de olhos azuis. E assim a Lara nasceu. Da mãe morena, árabe-italiana, veio a Lara, bem clara, com brilhantes olhos azuis. Quando parou de mamar, os olhos ganharam a cor do fundo do mar, mas o milagre, de ter dado a vida, escolhido um nome e batizado na crença que me abastece, este se renova a cada dia.

 

 

E quando a gente tem um filho fica fácil imaginar o amor de Deus por nós, seus filhos. A obsessão por nos ver bem, a disposição pra dizimar problemas. Mas quando a gente tem um filho, fica fácil entender porque a mágica não vem num passe. Porque é um pacto de longo prazo, com caminhos a desbravar, valores pra lapidar, diretrizes a interpretar, aprendizados e decisões a tomar sozinho. Embora acompanhado. Porque “O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus” Romanos 8:16. Serenamente convencido de que a crença concretiza a esperança. “Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?” Romanos 8:25. Por isso tudo o que quiser, peça, mereça e agradeça. Quando a fé é inteira, não existe bênção pela metade.

 

 

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