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“Luiz Fiuza Lima lança plano publicitário inédito para o turismo catarinense”
22 de Janeiro de 2011

“Luiz Fiuza Lima lança plano publicitário inédito para o turismo catarinense”

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Antunes Severo

As certezas, às vezes, me deixam desconfortável, ou no
mÃÂnimo com a pulga atrás da orelha. É que ao pensar sempre corremos o risco de abrir
as comportas do sem fim, dos horizontes perdidos, da imensidão abissal. Nesses
momentos, o perigo se esconde nos lugares-comuns, nas frases de auto-ajuda, nos
confortos, nas autocomiserações. Essa reflexão me vem quando penso no caminho
que vou seguir para reordenar e reapresentar as memórias que ainda carrego dos
tempos fascinantes, mágicos, posso dizer, vividos em terras Catarina.

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Quando aqui cheguei os primeiros passos já haviam sido
dados, os primeiros lances já haviam sido lançados. O nome de Luiz Ferreira
Lima já estava estampado nas páginas dos jornais, seus feitos eram motivo dos
mais diversos e dÃÂspares comentários. Céu e inferno se misturavam no burburinho
dos fuxicos. Defensores e acusadores se revezavam nas crÃÂticas e nos elogios.
Enfim, ninguém mais conseguia ignorar que Florianópolis, a desmoralizada
capital de um dos estados mais pujantes da nação, tinha potencial econômico
ÃÂmpar para ser a base da indústria turÃÂstica do sul brasileiro com reflexos
sobre os vizinhos paÃÂses que iam do Atlântico ao PacÃÂfico.

Por ter pegado o bonde andando valho-me, então, da narração
precisa e fiel de José Hamilton Martinelli no já mencionado livro dos 25 anos
da Propague. Conta o Martina:

“InÃÂcio dos anos 50. Tomado de profética inspiração, o
cidadão Luiz Fiuza Lima vislumbra que o grande potencial econômico de
Florianópolis reside na indústria do turismoâ€Â.

“Associado ao professor João David Ferreira Lima, nome
respeitabilÃÂssimo, e ao empresário Sidney Nocetti, funda a primeira empresa de
aviação comercial do Estado, a Transportes Aéreos catarinense. O nome da TAC
ficaria por muitos anos ligado aos valores culturais do Sul, graças a
propaganda desenvolvida nessa direção. De inÃÂcio a empresa operava em Santa
Catarina e Paraná. Incapaz de manter sozinha a manutenção dos aviões
consorciou-se com a Cruzeiro do Sul, viabilizando conexões para São Paulo e Rio
de Janeiro. A Cruzeiro entrava com os aviões (a TAC só tinha um) e a
infra-estrutura de terra. A TAC entrava com uma rede de lojas nas principais
cidades do Estado e um competente departamento de publicidade. Esse
departamento, instalado na Capital, fez o primeiro trabalho de formação de
imagem de uma empresa catarinense. A TAC ganhou carisma, desenvolveu a Ilha
como pólo turÃÂstico e promoveu Santa Catarina em outros estados. Seus aviões se
transformaram em meios de comunicaçãoâ€Â.

“Quando o jornalista Ilmar Carvalho deixou a Rádio Difusora
de São Francisco do Sul para assumir a House Agency da TAC, realizou uma
pesquisa sobre anúncios nos jornais. – A Padaria Moritz oferecia pães frescos e
a Modelar anunciava uma liquidação. Tudo muito rudimentar e sem ilustração –
critica Ilmar. Contratou então dois nomes em evidência: os artistas plásticos
Hiedy de Assis Corrêa, ou simplesmente Hassis, e Domingos Fossari. Agora, os
anúncios, além de receberem belas ilustrações, ganharam slogans, textos mais
criativos, apelando sempre para as vantagens de se optar por uma empresa
catarinense, e chamando a atenção para as belezas da Ilha. Comerciais de rádio
em espanhol divulgavam a empresa na Argentina, Chile e Peru. A TAC contratou
até um locutor castelhanoâ€Â.

“Cuidava de sua imagem, criando campanhas institucionais e
patrocinando eventos culturais e esportivos. Vitrines itinerantes levavam
textos e exposições fotográficas para outras cidades, mostrando os pontos
turÃÂsticos, o artesanato, as praias e a culinária açoriana. E incentivou a
melhoria da rede hoteleira para que a estrutura da cidade correspondesse ao
esforço de divulgá-laâ€Â.

Nem tudo, porém, correu de acordo com os planos dos
arrojados empreendedores. Entretanto, a história da comunicação mercadológica e
o negócio da propaganda em Santa Catarina tiveram o impulso inicial com base
nesse arrojado empreendimento. A empresa aérea sucumbiu no inÃÂcio dos anos
1960, pois como registra Martinelli “seus proprietários tinham boas idéias, mas
pouco capital†e conclui profético: “a TAC construiu uma imagem que nenhuma
outra empresa da época conseguiuâ€Â.

A contribuição de Luiz Fiuza Lima e de sua equipe de jovens
(e talentosos) sonhadores não ficou somente aÃÂ, como você poderá acompanhar na
próxima semana.

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