institucionais. É momento de parar e refletir sobre o que se fez, identificar
erros e acertos, corrigir o que pode ser melhorado, reavaliar caminhos e
objetivos, planejar o futuro.
os setores do governo, da iniciativa privada, das ONGs, da polÃÂtica, de todas as
artes, esportes, religiões, do clima, das tendências… Por óbvio, a grande
mÃÂdia faz avaliações e previsões internas, como em todas as empresas privadas
comerciais que precisam dar conta a acionistas de metas e resultados.
próprio desempenho, de sua parcialidade, de seus preconceitos, de suas
tendências, de suas omissões, de suas escolhas, de seu papel na democracia. O
que a grande mÃÂdia omite é a avaliação de si mesma como um serviço que, apesar
de explorado pela iniciativa privada, não perde sua natureza de serviço
público.
que ocupa nas sociedades contemporâneas, não pauta o debate sobre seu papel como
faz permanentemente em relação a todas as outras instituições na
sociedade?
A explicação da grande mÃÂdia será sempre
aquela que atribui ao mercado o papel de seu único e supremo avaliador. A grande
mÃÂdia dirá que é permanentemente avaliada por seus
consumidores/leitores/ouvintes/telespectadores e que seu sucesso ou fracasso
comercial significa o cumprimento ou não de sua missão e o atendimento ou não
das necessidades de seu “público”. Se o jornal é comprado por X consumidores é
porque satisfaz a eles. E essa é a melhor avaliação que pode existir. Essa é uma
das versões da conhecida “teoria do controle remoto”: se o consumidor não gosta
do que vê, ele pode trocar de canal ou desligar o aparelho de TV.
dos argumentos”], a “teoria do controle remoto” ignora como se formam, se
desenvolvem e se consolidam os hábitos culturais, incluindo aqui o hábito de
assistir determinados canais e/ou programas de TV ou de ler determinadas
revistas e/ou jornais. Este é um fascinante campo da complexa “sociologia do
gosto”. Quando se atribui, sem mais, ao mercado o papel de supremo avaliador,
reduz-se toda a problemática da comunicação de massa a uma única dimensão – do
“consumo” individual – e ignora-se a complexa questão da formação social do
gosto e do papel determinante que a própria mÃÂdia nela desempenha.
estariam representadas a pluralidade e a diversidade da sociedade, o que, por
óbvio, não existe. Ignora ainda o fato elementar de que não se pode gostar ou
deixar de gostar daquilo que não se conhece ou cujas chances de se conhecer são
extremamente reduzidas.
levantadas por historiadores como Renata Garraffoni] do panem et circenses
romano. Naturalmente, o sacrifÃÂcio de cristãos, entregues às feras em
espetáculos públicos, não torna a prática dos imperadores romanos correta. Dito
de outra forma, nem tudo que agrada a parcela importante da população é
automaticamente ético e correto.
A transparência que a grande mÃÂdia corretamente cobra de
outras instituições – públicas e privadas –, ela não pratica em relação a si
mesma. Permanecemos em 2010 sendo um paÃÂs democrático onde sequer existe um
cadastro geral com acesso público dos concessionários do serviço de
radiodifusão.
certamente revelaria redes de interesses e compromissos – nem sempre legÃÂtimos –
dos mais variados tipos, locais e globais. No que se refere àradiodifusão, por
exemplo, revelaria os absurdos do “coronelismo eletrônico” enraizado em
diferentes esferas do poder público; a propriedade cruzada como prática
garantidora de oligopólios e monopólios; a exclusão de muitos e a liberdade de
poucos apresentada e defendida em nome dos valores universais da liberdade de
expressão e da liberdade de imprensa.
avaliação pública de si mesma. Mas, com certeza, esta omissão grave já não passa
despercebida para um número cada vez maior de brasileiros.
