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Coluna Fabrício Wolff | Release ruim é não comunicação
09 de Novembro de 2017

Coluna Fabrício Wolff | Release ruim é não comunicação

Por Fabrício Wolff 09 de Novembro de 2017 | Atualizado 09 de Novembro de 2017

Não canso de dizer que boa comunicação é aquela que, direta, leva a mensagem ao receptor permitindo que ele entenda de imediato e provocando sua interação/reação. Isto vale para todos os seres que buscam se comunicar. Porém, para aqueles que um dia decidiram fazer da comunicação seu ganha-pão, fazê-lo com maestria é uma obrigação. Não se admite uma má comunicação (ou uma não-comunicação) de alguém que optou por conhecê-la e trabalhar com ela. Seria como um engenheiro não entender de cálculos, ou um pedreiro que não sabe assentar tijolos.

Mas o que se vê na vida real, na prática, são profissionais da comunicação escorregando nos mais elementares conceitos da área. Um jornalista aqui de Blumenau (Carlos Tonet), 35 anos de experiência, e que faz sucesso local no Facebook com suas muitas postagens diárias e abordagens sempre recheadas de sarcasmo, costuma pegar no pé dos colegas que enviam releases ruins. 

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Implica muito com o “nariz de cera” dos releases, lembrando que em uma época de vida corrida e leitura dinâmica, aquele que recebe o material textual não quer saber da contextualização do ambiente da notícia no primeiro parágrafo, antes das informações básicas de um lead. Especialmente porque se lê muito no aparelho celular, onde o “nariz de cera” só dificulta a recepção da mensagem em si. De vez em quando posta uma foto do release recebido (como a que publico nesta coluna, que ele recebeu de uma assessoria sediada em Florianópolis). Tonet está coberto de razão, mas não só pelas razões que argui. 

A comunicação para fazer efeito, ser competente, precisa ser clara, direta e concisa. Informa bem e de maneira rápida. Não é à toa que desde a metade do século passado a pirâmide invertida é o modo mais preciso de se iniciar um texto jornalístico. No lead (o primeiro parágrafo) responde-se às seis perguntas básicas (o quê, quem, quando, como, onde e por quê). Claro que o lead não precisa ser seco, pelo contrário. Pode ter um molho bem interessante. Porém, precisa informar clara e diretamente, sem delongas. 

Um debate que a academia faz sobre a questão do lead é se ele não estaria ultrapassado. Só que ninguém conseguiu, até agora, apresentar uma opção melhor para a boa comunicação em um texto jornalístico. Isto porque, volto a lembrar, a boa comunicação é clara, concisa e direta. Assim como na cozinha para fazer um bom molho é preciso ser um cozinheiro experiente, fazer um lead mais gostoso de ler e que saia somente das informações básicas, demanda boa competência textual. Demanda tempo de “cozinha”. E, claro, muita leitura. Porque não há quem escreva bem sem ler muito.

Escrever jornalisticamente é pura comunicação. Se o texto não comunicar com competência, não é bom. Simples assim.
 

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