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Coluna Julio Pimentel | 60 anos na estrada: Leite de coco e mea culpa.
01 de Setembro de 2017

Coluna Julio Pimentel | 60 anos na estrada: Leite de coco e mea culpa.

Meu caminhar no relato desta estrada profissional de 60 anos começou pelos primeiros passos, mas depois acabei me descolando do rigor cronológico, privilegiando fatos e pessoas, mais que sequência temporal. Hoje vou dar um salto de 20 anos, provocado pelas páginas amarelas de Veja desta semana, que entrevista Tasso Jereissati a propósito do polêmico programa de TV do PSDB, que faz um reconhecimento de culpa.

Eram os anos 80 e eu tinha ingressado na Propeg a convite de Rodrigo Sá Menezes, para dirigir as filiais de São Paulo e Rio. Como isso aconteceu, em que circunstâncias, vamos deixar para comentar em outra ocasião. Agora quero me concentrar no que era minha missão principal, aumentar os negócios em São Paulo. Como movimento estratégico nessa direção, levei para nossa equipe Cláudio Leal, que nos anos seguintes fez brilhante carreira na Rede Propeg, primeiro em Salvador e depois em Brasília. Cláudio encerrou as atividades de sua agência de publicidade e levou consigo algumas contas que foram engrossar o portfólio da nossa. Entre elas, uma indústria que tinha sede em Fortaleza, dedicada a produtos derivados do coco – Leite de Coco Menina.

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Foi assim que conheci Tasso Jereissati, dono da empresa, que de tempos em tempos ia a São Paulo e fazíamos nossas reuniões para o atendimento da conta. Estivemos juntos uma dezena de vezes, até que a conta deixou de existir, já que não havia mais verba suficiente. Mas esse contato despertou em mim admiração e respeito pelo empresário e pela figura humana, que sempre considerei íntegra. Hoje é um dos empresários mais ricos e bem sucedidos do Brasil, engarrafador e distribuidor de Coca Cola entre outras atividades.

No campo político, em 1986, então com 38 anos, foi eleito governador do Ceará pelo PMDB, implantando um projeto de moralização, austeridade e transparência na gestão pública. Depois disso, já no PSDB, Tasso foi reeleito por mais dois mandatos e é hoje senador da república. Não sei como foram suas campanhas, mas na primeira ele poderia dizer “não sou político, sou empresário, sou gestor”, como está na moda. 

O fato é que nunca mais estive com ele. Aliás, sou acusado de não saber manter meu networking, o que é verdade. Mas se tivesse hoje contato, diria que tem minha aprovação e meu apoio, como estrategista político e como cidadão, na abordagem que o partido usou para seu comercial e na entrevista concedida a Veja.

Se toda a classe política pensasse e, principalmente, agisse da mesma maneira, teríamos o tão esperado avanço histórico da ética no país. Porque, não tenhamos dúvida, nunca chegaremos lá se a iniciativa não atingir os congressistas, os nossos governantes. Mas, lamentavelmente, a realidade é outra – são exatamente eles, os que deveriam dar o exemplo, que criticam o programa do PSDB e a postura de seu presidente.

Houve um momento, lá longe, em que PT e PSDB defendiam os mesmos princípios, embora por métodos diferentes. Representavam a esperança que os outros partidos não atendiam – combate à corrupção, igualdade social e outras promessas que afinal não passaram disso mesmo: promessas, frases de efeito. A decepção foi enorme, deu no que deu. 
Tenho certeza de que não estou sozinho nessa forma de pensar, o que provam os milhões de acessos ao Youtube e os comentários de aprovação da grande maioria. O momento é de reconstrução, de reescrever a história dos partidos. Tomara que esse seja um começo.

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Outra matéria que me chamou atenção e despertou memórias foi a que trata da morte de Jerry Lewis, aos 91 anos. Em 1968, hospedado em um hotel em Nova York, estava entrando no elevador e eis que ele entra também, cumprimenta-me com um sorriso e não parece nem um pouco incomodado com meus olhares de surpresa e admiração. O Jerry Lewis que eu via nas telas de cinema era muito diferente do cara que se encontrava ao meu lado, alto, forte e que não fazia caretas nem revirava os olhos. Mas o que fica mesmo é sua imagem de grande comediante que até hoje, revendo seus filmes na TV, me faz rir muito, não mais às gargalhadas como antigamente, mas o riso de quem acha que compreende o sentido humano por trás das palhaçadas.
Até a próxima.

 

 

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