Diego iniciou carreira numa gráfica de Belo Horizonte, perto da virada do milênio. Foi arte finalista, designer, produtor gráfico e faz tudo. Aos 17 anos ele enxergou pela primeira vez a arte no meio do processo e, mais do que a graxa e a tinta, ficou a vontade de trabalhar com design e direção de arte. Partiu para a Europa em 2003 para retornar 10 anos depois. Trabalhou como freelancer por anos em Lisboa, Madrid e Londres. Em Lisboa, trabalhou 5 anos na maior agência independente de health do País. Foi supervisor de criação na Ray Gun (agência digital da Nintendo) na Iberia e na FunnyHow, onde ganhou projeção internacional com cases para Guinness e Desperados. De volta ao Brasil como Country manager, se estabeleceu em São Paulo, onde mais tarde voltou ao mercado de health como Diretor de Criação na Havas Life SP.
Como você se sente fazendo parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2017?
Difícil fugir do clichê nessas horas, mas é uma honra ajudar a premiar os melhores cases do mundo e contribuir para a construção de novas pautas da nossa sociedade para os próximos anos. Cannes muitas vezes mostra o norte da nossa indústria e ajuda a implementar mudanças importantes nas marcas e nos consumidores. Está sendo uma uma incrível experiência de vida.
Quanta vezes você participou do Festival e o que ele agrega para quem vivencia a semana no Palais?
Este é o meu quarto ano no festival e não vejo um padrão no que se absorve em Cannes. De certo modo é parecido com a Olimpíadas – você já sabe que durante aquelas semanas estarão reunidos atletas de todo o mundo buscando uma medalha, mas no final o que estamos vendo é sempre inesperado e único. Novos talentos são revelados, descobrimos diferentes formas de fazer coisas convencionais, amizades se formam e renovamos um elo comum entre pessoas do mundo inteiro.
Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com jurados de diversos cantos do mundo?
O Ricardo John da JWT disse em nosso primeiro encontro como jurados – “Falem sempre com o japonês que não fala muito bem inglês no canto da sala”. Talvez tenha sido uma experiência pessoal dele mas encarei também como uma lição para este ano. Tanto na composição do juri como nos trabalhos em pré-julgamento, a força econômica e política dos países anglo-saxônicos é muito evidente. Do outro lado, mais de 40% do juri este ano será composto por mulheres e em paralelo vemos cada vez mais a presença de grandes trabalhos de países do sudeste asiático e América Latina. A diversidade precisa ser exercida e não apenas falada. Acho que estamos aprendendo a admirar grandes ideias com grandes produções sem perder o contato com a realidade de cada lugar, e isso torna tudo mais interessante para todos.
De 3 anos para cá, o que você poderia citar como grandes mudanças no Festival e o que será avaliado em HEALTH & WELLNESS?
Talvez a grande mudança chama-se Healthification. As grandes marcas e agências descobriram a gigantesca mina de ouro e conhecimento que é o mercado de Saúde. É um tema abrangente que permeia não só a vida nos consultórios e hospitais, mas também as páginas do Google, as conversas em família, as mudanças de vida na virada do ano. Perguntas sobre como viver mais, onde está a cura para o câncer, como obter água potável ou a exploração científica na floresta amazônica. Estamos no começo desta expansão do conhecimento para o grande público, mas com crescimento contínuo de 40% ao ano em Cannes já dá para ter a certeza que Healh & Wellness veio para ficar.
Qual a sua expectativa sobre a performance do Brasil neste ano ao longo do Festival?
Trazer para o Brasil o primeiro ouro em Pharma com Parkinsounds no ano passado ajudou a mudar a percepção no Brasil sobre comunicação em Health. Hoje temos melhores agências e melhores profissionais trabalhando nesta área e espero um ótimo ano tanto em Heath como em Pharma para o Brasil.
Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer Cannes neste ano.
Estamos indo com dois novos trabalhos este ano. O primeiro chama-se Social Transformation para a Unimed Rio Preto e reúne uma série de iniciativas bastante corajosas que culmina no reconhecimento do nome social dos segurados da Unimed, uma ação pioneira no país. O outro case foi desenvolvido para a Medley e propõe uma experiência única no combate à insônia. Fizemos a primeira transmissão binaural com o apoio da AlphaFM, modificando a programação e ajudando os ouvintes a relaxarem. Um projeto complexo mas com resultados incríveis.
Como as agências locais podem se inspirar em Cannes e trazer resultados inovadores aos seus clientes?
Em 2015 a Havas Life São Paulo não inscreveu nenhum trabalho em Cannes, estivemos apenas como espectadores e foi uma oportunidade incrível para olharmos o festival como uma fonte de conhecimento e não apenas prêmios. É importante ouvir mais do que falar e essa máxima faz muito sentido em Cannes.
O que não falta na sua bagagem para Cannes?
Papel e caneta. Quero escrever, rabiscar e guardar tudo o que achar importante nestas duas semanas por lá. Nunca deixo de pensar que é uma oportunidade única para conviver com gente incrivelmente talentosa num lugar especial.
