Nos últimos dias a decisão de Silvio Santos de colocar no comando do jornalístico Primeiro Impacto um jovem de apenas 18 anos, foi alvo de muitas manifestações na imprensa brasileira que registrava o fato como algo estranho já que o SBT colocara o jovem Dudu Camargo no lugar de duas tarimbadas jornalistas. Este portal repercutiu a nota publicada pelo R7 que você lê a seguir:
“O jovem de 18 anos Dudu Camargo, que assumiu o comando do noticiário Primeiro Impacto substituindo as jornalistas Joyce Ribeiro e Karyn Bravo, pode perder o cargo por não estar regularizado na profissão. De acordo com o blog de Keila Jimenez no R7, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo já pediu ao SBT para tirar o rapaz do ar. A entidade alega que Eduardo Camargo não é jornalista de formação e nem possui licença de apresentador.”
Equívoco
Segundo Emílio Cerri, ombudsman do AcontecendoAqui, a nota publicada com base no texto de Keila Jimenez está equivocada. “Em nenhum momento o Sindicato dos Jornalistas de SP referiu-se à exigências de formação do jovem apresentador. A nota da jornalista, reproduzida no AA, diz: ‘A entidade alega que Eduardo Camargo não é jornalista de formação.’ O Sindicato não fez tal alegação”, diz Cerri.
O que de fato disse o SJPSP
Em nota, que você lê agora na íntegra, “o Sindicato dos Jornalista Profissionais no Estado de São Paulo, com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj, vem a público protestar contra a alteração ocorrida no telejornal Primeiro Impacto do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão que afastou as jornalistas Karyn Bravo e Joyce Ribeiro. No feriado de quarta-feira, 12 de outubro, quando também se comemorou o Dia da Criança, a direção do SBT afastou da bancada do telejornal as duas jornalistas e as substituiu por Eduardo Camargo.
O “âncora”, de apenas 18 anos, atuava no programa Fofocando interpretando a personagem ‘Homem do Saco”, um comentarista que não mostrava o rosto, o qual permanecia encoberto por um saco de papel. Em seu currículo também consta a participação na novela Revelação e no programa Domingo Legal, no quadro “Lendas Urbanas”. Vários jornalistas procuraram o Sindicato manifestando sua indignação. O protesto não se dá apenas pelo fato de a direção substituir duas experientes profissionais por uma única pessoa, o que tem se mostrado uma política usual das emissoras, fato que vem precarizando cada vez mais a profissão.
Tampouco o protesto se deu pelo fato de o novo apresentador não ser jornalista profissional. Prática que se tornou possível uma vez que a decisão desastrosa do ministro do STF, Gilmar Mendes, considerou a necessidade de formação específica em jornalismo desnecessária para o exercício profissional. Tal decisão abriu virtualmente as portas da profissão para qualquer pessoa. O que torna esta alteração ainda mais desastrosa para a profissão é que ela comprova, mais uma vez, que o jornalismo é visto como uma atividade marginal na emissora do sr. Sílvio Santos.
Tratar o jornalismo como entretenimento e não informação criteriosa é um desserviço ao cidadão, um ataque à qualidade da informação e, mesmo, uma afronta à Constituição que estabelece como princípios que os meios de comunicação devem zelar pela sua função social e dar “preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”. As profissionais, que apresentavam o noticiário não foram demitidas, mas estão afastadas da função. Casos como este demonstram o quanto é necessária a união dos jornalistas em defesa da profissão e da qualidade do trabalho jornalístico.”
