A relevância do jornalismo e a capacidade dos profissionais de avaliar técnica e eticamente informações de interesse público são razões que explicam, na opinião da jornalista Sônia Bridi, o fato de Edward Snowden (site Wikeleaks) ter escolhido a imprensa para divulgar informações sobre espionagem do governo americano. Com a palestra “Furo Mundial: Como Cheguei a Edward Snowden”, a repórter especial da Rede Globo abriu esta terça-feira de debates no 16º Congresso Catarinense de Rádio e Televisão da ACAERT. O debate foi mediado pelo repórter Ricardo Von Dorff (RBS/Globo).
Durante mais de uma hora, a jornalista contou sobre o planejamento até chegar à entrevista com Snowden, a saga dele em busca de asilo (hoje reside na Rússia) e defendeu a profissão. “Por que estamos aqui hoje? Qual é o papel do jornalismo?”, questionou a plateia. Ela disse que também perguntou a Snowden o motivo dele ter revelado o conteúdo de seus arquivos à imprensa e não ele próprio ter divulgado. “Entendi que ele confia que os jornalistas sabem separar o joio do trigo”. Na leitura dela sobre a postura de Snowden, os jornalistas é que saberiam avaliar o material e as boas razões para divulgar algumas informações e outras não, inclusive levando em consideração a segurança de fontes e dos países envolvidos nas informações.
A recente entrevista exclusiva com o Presidente da República interino, Michel Temer (PMDB) também foi abordada pela jornalista. Um pequeno compacto da entrevista foi exibido ao público e ela comentou sobre as reações polarizadas nas redes sociais: alguns teriam questionado sua postura firme com o entrevistado e outros reagido de outra forma. “As pessoas não querem mais ouvir. Vejo uma identidade grande entre os dois extremos. E nós, que estamos no meio, tentando entender o que está acontecendo”. A ausência de mulheres no primeiro escalão, que foi uma das perguntas a Temer, foi questionada pela jornalista também na conversa com participantes do congresso. “Alguma mulher aqui acha que não haveria um nome com condições para assumir um ministério?”, perguntou.
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Fotos: Fernando Willadino
