O desafio da Água
27 de Outubro de 2014

O desafio da Água

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Há poucos dias, lideranças empresariais de Santa Catarina sabiamente propuseram-se a ouvir sobre a crise hídrica! O evento, promovido pelo LIDE Empresarial, trouxe como palestrante o executivo Roberto Klabin, fundador das organizações SOS Mata Atlântica e SOS Pantanal, que veio acompanhado de pessoal especializado para discutir com profundidade o problema.

Muito louvável a iniciativa, que trouxe à tona algumas das questões mais latentes no que se refere à relação homem/natureza:

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I – a dificuldade em perceber a iminência do problema pela ausência de uma visão sistêmica a indicar que é preciso proteger as nascentes com a vegetação, por exemplo;

II – que a água, e de um modo geral o equilíbrio ecológico, não são prioridades para os gestores públicos;

III – uma total ausência de planejamento para situações emergenciais;

IV – que o uso mercadológico dos recursos naturais precisa de regulação e segurança;

V – que a água é um direito de todos e não uma commodity;

VI – que a desinformação prejudica o controle público da gestão dos recursos essenciais como a água;

VII – que o imediatismo reinante no Brasil considera a questão ambiental agenda “negativa” e a afasta da pauta dos políticos ansiosos em “colorir o cenário”.

A precariedade da gestão da água, usando o exemplo de São Paulo, compromete atualmente a saúde, o bem-estar e mesmo a economia de uma metrópole. Quadro que nos faz conviver com uma realidade em que só quem pode pagar um caminhão pipa (que segundo o noticiário relata passou de R$ 150,00 para R$ 1.500,00 em verdadeiro sistema de leilão), garante seu acesso à água potável.

Em uma proporção global, é esse tipo de crise que se avizinha, é esse o fantasma que assombra e que já provoca um processo migratório de refugiados ambientais ao redor do planeta. É para prevenir que se esgotem bens naturais essenciais como a água ou sejam utilizados indiscriminadamente em prejuízo dos direitos humanos, que é preciso falar mais e mais alto sobre sustentabilidade.

É necessário falar, informar, debater, proceder um questionamento consistente e crítico sobre os prós e contras das nossas leis ambientais, das políticas que temos e daquelas que equivocadamente estão em curso. Um dos exemplos citados foi a reforma do Código Florestal, que reduziu a proteção das nascentes e encostas e a exploração do gás de xisto, ambos afetando diretamente os recursos hídricos.

Tragédias relacionadas ao clima e situações de “estado de calamidade” estão se tornando regras e não mais exceção. Decretar que um município está em estado de calamidade pública para receber recursos estaduais ou federais parece ser um jogo de azar, corre-se o risco de haver quem prefira apostar a prevenir.

Louvável a iniciativa empresarial em trazer esse tema para a mesa de discussão. Serve também para nos estimular a acompanhar de perto a nossa realidade com relação à água e às políticas socioambientais.

Afinal, você sabe de onde vem a água que utiliza?

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