Estamos em pleno período de campanha eleitoral, uma ótima oportunidade para encararmos frente a frente, ou pela TV, as peripécias político-partidárias (suas alianças exóticas e ideologias cansadas) e os bravos (ou nem tanto) que se propõem a serem nossos representantes. E, indo mais a fundo, é também o momento de enfrentarmos a tendência ao comodismo e à incredulidade que se instaura entre nós votantes, e que nos torna alheios aos resultados das urnas.
Paralelamente a essa reflexão, nos palanques seguem-se os discursos sobre o meio ambiente, mobilidade urbana, economia e sustentabilidade, todos suspeitamente assemelhados. Por que será?
Acontece que, como explica Edgar Morin, a política se aproxima cada vez mais das questões filosóficas e a filosofia se mostra insuficiente sem as práticas políticas. As respostas às necessidades elementares para os indivíduos (água, alimento, ar puro), nos obrigam a pensar e conviver com culturas e valores distantes no espaço, aproximadas pela conjuntura global. A vida, a segurança e outros aspectos tangenciados pela ecologia, não se asseguram dentro dos limites de um bairro ou de uma nação.
No mundo pós-moderno em que vivemos, já não basta aos gestores e legisladores públicos tapar os buracos no asfalto para atender às expectativas do eleitor. É preciso demonstrar que se compreende a integração dos diversos fatores que interagem para o bem-estar das pessoas, indispensável para realizar um projeto coletivo de melhorias para um município, por exemplo.
Isso ocorre porque como indivíduos inseridos numa cultura de sociedade globalizada, ao mesmo tempo em que primamos pela nossa suprema liberdade, sabemos que é preciso equalizar alguns aspectos da vida em comum, administrada pelos entes políticos. Ao mesmo tempo, é sabido que as soluções coletivas só adquirem força e capacidade transformadora ao obterem a adesão dos cidadãos.
É com esse viés que as questões ecológicas adentram a política e a comunicação. Elas se impõem diante da necessidade de pensar o futuro do homem no planeta e todos seus co-habitantes.
A agenda eleitoral nos coloca diante do inevitável, o compromisso individual e coletivo de exercer a cidadania. Seja porque se imponha a urgência de transformar culturalmente o ambiente político, seja porque já não há mais tempo/espaço para omitir-se.
Discutir política (o que se faz no âmbito partidário em época de eleições) e adotar atitudes politizadas (assumindo a cidadania como um compromisso pessoal para com o coletivo, para a preservação ambiental, por exemplo) são comportamentos que precisam ser aproximados, porque é na conciliação entre os discursos e as manifestações que as questões fundamentais à comunidade planetária alcançarão respostas.
