O número 7 tomou conta dos meios de comunicação nesta última semana. Não se trata de uma mística, de azar ou sorte, mas do número de habitantes no planeta, que chegou em 7 bilhões. As estatísticas alertam sobre a possibilidade do crescimento demográfico atingir até, no final do século, a marca de 10 bilhões de pessoas.
No centro dos debates, que envolvem uma visão em perspectiva sobre o futuro da humanidade, como é inevitável, as condições de consumo da sociedade contemporânea e os limites naturais de sustentar tal modelo para toda essa população.
Torna-se imperativo, quer pelas restrições da própria economia globalizada em manter-se no mesmo propósito de desenvolvimento, quer pelos limites físicos do planeta que se depara com a impossibilidade de manter em equilíbrio ecossistêmico gerando entropia, trabalhar a economia, as práticas e a concepção cultural de consumo.
Vivemos num quadro redundantemente crítico: a crise do aquecimento global, a crise dos limites dos recursos para alimentar uma população mundial de 7 bilhões de indivíduos, a crise econômica para equilibrar a demanda e os custos inéditos a partir de coordenadas ultrapassadas, pensadas para um modelo estatal superado, a crise do stress, da qualidade de vida quer nas grandes cidades, quer no interior.
Assim como para sustentabilidade e desenvolvimento, há diferentes compreensões para a expressão “qualidade de vida”. Do ponto de vista ecológico, significa ter condições mínimas para uma existência saudável que permita o desenvolvimento físico, psíquico e social do ser humano, sem comprometer as oportunidades das gerações futuras. Corresponde, de fato, a respirar oxigênio sem contaminantes e poluentes, comer alimentos sem ter receio de acumular materiais entrópicos no próprio organismo, poder estar no convívio social sem medo da violência, realizar-se como ser humano entre amigos, familiares, no trabalho, desenvolver a mente, capacitar-se, elaborar pensamentos novos, ideias criativas, arte. Estar aberto ao outro sem receio, sem ansiedade, compreendendo sua própria condição de ser além de ser pensante um ser vivo que é também parte integrante da natureza.
Essa ambicionada qualidade de vida, que neste momento parece utópica, começa com algumas medidas práticas como as que estarão em discussão na Conferência Rio + 20, a implementação da política de resíduos sólidos adotada pelo Brasil, e o reconhecimento das responsabilidades dos setores produtivos, financeiros e científicos por desenvolver alternativas sustentáveis.
O consumo precisa ser redimensionado na sua proporção e distribuição, adaptado quanto ao seu conteúdo. O que consumir, por que consumir, como consumir, quanto consumir? Como o mercado vai se ajustar a esse modelo?
Em meio às crises e às dúvidas, emergem novos conceitos que trazem boas expectativas e para os quais é necessário voltar-se: ciclo de vida do produto, valor econômico dos resíduos, reciclagem, reutilização, logística reversa, responsabilidade compartilhada. Conceitos que precisam se transformar em instrumentos práticos para edificar um compromisso coletivo com a sustentabilidade e vida de qualidade para todos os atuais 7 bilhões de habitantes do nosso planeta, sem esquecer dos outros mais que virão.
