Interessante como evoluímos tanto do ponto de vista tecnológico e, paradoxalmente, o contexto encontra-se tão ruim. Para o lado que olharmos os problemas aparecem. Superpopulação, aquecimento ambiental, extinção de espécies, poluição ambiental, péssima qualidade da Educação, violência e mobilidade urbana, ocupação descontrolada do espaço físico e, por aí vamos caminhando. Com o caminho se estreitando aparecem os dois lados da moeda: o pessimista e o otimista. O pessimista defendendo a tese de que já atingimos o ponto de retorno e que não há nada mais a fazer; o otimista, dizendo que não é bem assim e que, a ciência e a natureza, encontrarão um caminho para se ajustar ao futuro. Bem, nesta pequena análise vamos tentar ser realista.
Que nós, habitantes deste pequeno planeta, somos absolutamente teimosos, não há o que discutir. Entendemos que temos que mudar para que possamos continuar a habitar este planeta, mas a mudança sempre deverá começar pelos outros. Vejamos alguns exemplos:
– Todas as manhãs o fluxo do trânsito é feito em direção ao centro das cidades. Óbvio que os engarrafamentos serão inevitáveis. À tarde o fluxo se inverte. Assim, as pessoas ficam horas presas dentro de seus transportes sem fazer, absolutamente, nada.
– Praticamente toda a vida útil de nossas cidades começa por volta de 8horas e termina ao redor de 18horas. Depois, vem o vazio. Espaços inteiros são relegados ao abandono apesar de todo o investimento feito.
Os exemplos acima citados mostram que temos que mudar e rever algum dos conceitos que criaram o que aí está. Alongar o fluxo de funcionamento das cidades é fundamental para a melhoria da qualidade de vida. Por que temos que começar a trabalhar todos por volta de 8 horas? Por que não escalonar o início das atividades dos vários segmentos permitindo a ocupação mais racional dos espaços?
Outro ponto a ser discutido é a descentralização das cidades. Por que tudo tem que estar no centro? Por que obrigar as pessoas a saírem de seus bairros, a congestionarem o trânsito, se poderemos fazer quase tudo no local em que moramos? Por que as indústrias têm que serem posicionadas longe das cidades obrigando os trabalhadores a se deslocarem por distâncias enormes e por horas infindáveis?
Por que os equipamentos disponíveis não podem funcionar 24 horas por dia maximizando os investimentos feitos e prestando serviços de melhor qualidade? Hospitais, cartórios, escolas, órgãos públicos, tudo e todos, trabalhando de maneira ininterrupta para que os investimentos sejam, efetivamente, produtivos.
Observe o tempo que os equipamentos, públicos ou não, ficam a disposição dos usuários. Veja o custo de os construirmos para mantê-los fechados. Esta é uma discussão que deve necessariamente ser feita. Sem juízos preconcebidos, sem defesas em função de posições ligadas ao passado, mas com ideias voltadas para o futuro e visando a qualidade de vida de cada habitante das cidades. Boa leitura!
