“PUBLICIDADE DE ARREPIAR Ao me arrepiar com o anúncio da Stihl, em que um cidadão, com soprador costal, limpando seu jardim, desperta paixão em mulheres, reforcei a tese de que a criação da grande maioria das agências de publicidade se encontra em zona de conforto e se acha intocável. Primeiro que predominam em anúncios de TV artistas e jogadores, justamente porque fica mais fácil de criar uma peça publicitária. Basta mostrar uma bela artista ou um Neymar com cara de enigmático (ele faz sete anúncios simultâneos) e tá montada a peça. O telespectador olha a artista e o Neymar e nem dá bola para a mensagem. E, claro, o percentual da agência sobre o cachê do artista e do jogador não é de dispensar. Gostaria de desafiar as agências, com a ajuda do meu amigo Eloy Simões, a criar anúncios bons, convidativos, atraentes sem se utilizar de artistas e jogadores. Investir no conteúdo, no produto, na marca e convencer o consumidor a comprar. Será que os times de criação conseguem bater uma boa bola sem os craques do futebol e da TV? Tenho minhas dúvidas, a menos que o empresariado comece a descobrir que está gastando muito com gente famosa. Ah, em tempo: vocês já ouviram no rádio o anúncio de uma fábrica de remédios genéricos, em que Ronaldinho, sua mãe e seus filhos dizem que só usam essa marca? Será que Ronaldinho está gordo de tanto genérico que anda tomando? Mas, me expliquem uma coisa: o que tem Ronaldinho, sua mãe e os filhos com genérico? Será que um doente que vai à farmácia em busca de genérico, justamente para gastar menos, adverte o farmacêutico que quer o genérico do Ronaldinho? Será que Ronaldinho é uma esperança de cura?” (a) José Laudelino Sardá
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