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A vingança de Martinho Lutero
15 de Março de 2011

A vingança de Martinho Lutero

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1. Casada com um alcoólatra incorrigível, ela resolveu levar o problema para um psicólogo.

 
Depois de ouvi-la, ele a aconselhou a tratar bem do marido.
 
“Com muito amor, paciência e compreensão”, frisou.
 
Na mesma noite o marido chega em casa de porre e é recebido com o carinho recomendado pelo psicólogo. Abraça-o, beija-o, desfaz o nó da gravata. Então, pergunta, com ternura:
 
“Querido, você não acha que já está na hora de ir para a cama¿”
 
O bêbado não pensou duas vezes:
 
“Ótimo, hic! Quero ficar mais um pouco aqui. Hic! Você não sabe  megera hic, que me aguarda lá em casa.” 
 
2. Na década de setenta, Alex Periscinoto, atendendo a convite da CNBB, pronunciou uma palestra memorável, de cujo raciocínio muita gente se apropria até agora, sem se preocupar em citar a fonte.
 
Naquela ocasião, Alex provocou o espanto dos bispos, ao adverti-los de que a Igreja católica enfrentava problemas ao perder espaço para os evangélicos, por culpa das falhas que cometia – e, na minha opinião, ainda comete – na comunicação.
 
E citou:
 
. A Igreja deixou  de ser um outdoor permanente. Antigamente ela era construída no ponto mais alto da cidade. Todos a viam, coisa que ficou quase impossível, porque as cidades cresceram, com elas os prédios.  
 
. A principal proposta de venda da Igreja se perdeu. Ela oferecia um benefício imbatível: a salvação pós a morte. E para tornar o argumento ainda mais dramático, construía, ao lado, um cemitério.
 
. Todos dias, pela manhã e às 18 horas, ela tocava seu jingle, em forma de sinos. Querendo ou não,  todos ouviam.
 
. Quando a confissão deixou de ser obrigatória, a Igreja católica fechou o Departamento de Pesquisas. Ali o padre ouvia as queixas, os problemas, as mágoas, os humores dos paroquianos. Depois, subia ao púlpito e, devidamente informado, fazia sermões emocionantes.
 
. A Igreja também aboliu o homem e a mulher sanduíche Padres e freiras deixaram de sair, obrigatoriamente, às ruas, com sua indumentária oficial.  Passaram a vestir-se como pessoas comuns. Com  isso, a Igreja perdeu outro elemento de venda.
 
. A missa perdeu o ar de solenidade. Antes, os fiéis, contritos, assistiam o evento, dedicando-se, o tempo todo, a orar. O clima era do maior respeito. Hoje, o fiel recebe um volante na porta da Igreja, e se quiser, o lê, enquanto a solenidade se desenvolve. O próprio padre parece não saber o que tem de fazer. É incapaz de se abster da mesma leitura. E tem os aplausos, que aproximam a missa de um evento, com o mesmo fim,  realizado em uma Igreja Evangélica.
 
3. Agora, a Igreja Católica dá mais um passo pra trás: as imagens estão desaparecendo das novas igrejas. E, o que é pior: a arquitetura barroca foi – ou está sendo – abandonada para se tornar cada vez mais parecida com as Evangélicas.
 
Sentado em alguma nuvem, Lutero deve estás morrendo de rir.
 
4. É como a história lá de cima, que li na coluna Bitoque, de Son Salvador, no jornal aQui.
 
A Igreja Católica, cada vez mais desgastada, tenta recuperar os fiéis, mas a cada passo, caminha para o lado oposto. Aí, o pobre procura uma Igreja, entra na primeira que encontra e pensa que está no lugar errado.    

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