O Papagaio e o Franguinho
29 de Agosto de 2012

O Papagaio e o Franguinho

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  1. Encantou-se com o papagaio. A ave era engraçada, falava tudo. Comprou-a. Em casa, porém, decepcionou-se.

Nem bem chegou lá, o papagaio deixou de ser aquela figura simpática, alegre mesmo. Começou a resmungar, a reclamar de qualquer coisa, a xingar o tempo todo.

Ele bem que tentou, de todas as maneiras, a amansar o bicho: chegou, imagine, a declamar poemas emocionantes, e tocar músicas clássicas, a servir uma alimentação cuidadosamente preparada.

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Não adiantou.

Aí, resolveu levá-lo a cerimônias religiosas.

Nada. O papagaio estava cada vez pior.

Tentou devolvê-lo, mas o ex-dono não o aceitou.

Ofereceu-o aos vizinhos, aos amigos, às pessoas, qualquer pessoa, que encontrava pela rua. Inutilmente.

“!Esqueceu” o papagaio em um lugar qualquer, mas ele voltou.

Impaciente, deu uma surra na ave, porém ela não mudou..

Aí, não agüentou mais: enfiou o papagaio em um freezer.

Lá dentro,  o papagaio começou a xingar. Xingou até não poder mais.

Aí, calou-se.

Pronto: finalmente, ele morreu.”

Cheio de remorso, mas também aliviado, o homem  decidiu recolher o cadáver.

Então, quando abriu o freezer, uma surpresa: o papagaio estava vivo. Vivo e aparentemente educado. Tanto que, ainda tremendo por causa do frio, falou assim com o dono:

“Sei que meu linguajar tem sido mais do que inapropriado para este ambiente familiar, e que minha atitude não condiz com a atenção que o senhor tem me dado. Gostaria de lhe apresentar minhas sinceras desculpas e colocar que, daqui para frente, me portarei adequadamente.”

O homem ainda não tinha se refeito da surpresa, quando o papagaio, jeito maroto, perguntou:

“Só por curiosidade: o que aquele franguinho que está lá dentro fez?”(Escrito por Som Salvador, no jornal aQui, e reescrito por mim, do meu jeito)

2. A mídia impressa tinha,  dois gargalos: as áreas de assinatura, que não revela o menor respeito pelos assinantes; e a de distribuição.

Disse que em Florianópolis, a ausência de pontos de venda é lamentável. E que se lê pouco aqui, porque o produto jornal\revista não é encontrado.

O assunto não foi pra frente, porque ninguém se interessou em discuti-lo.

3. Outro dia, Meio & Mensagem publicou, na capa, chamada em que afirmava:

“S. Paulo fecha uma banca por dia e editoras temem perd

No texto:

“… Mercado lamenta que os pontos de venda enfrentem dificuldades, procura alternativas para venda avulsa e prevê impacto na circulação.

4. Recentemente, uma notícia veiculada nos jornais, surpreendeu muita gente. Diz que o Rio Grande do Sul é, se não me engano, o Estado onde mais se lê jornais,

5. A resposta para esse fenômeno está em   um box, colocado na matéria de Meio & Mensagerm, sob o título

O “índice-banca”

Trazia uma preciosa informação:

Número de habitantes por bancas de revistas em algumas capitais brasileiras (mil)

Rio de Janeiro 2,1

Brasília 2,1

S. Paulo 2,8

Curitiba – 3,1

Porto Alegre – 7

Salvador – 13,3

6. Lembrei-me da história do papagaio e do franguinho. A mídia impressa tem passado esse tempo todo maltratando o assinante e dificultando a vida do leitor, na medida em que não tem se preocupado com o ponto de venda.

Agora, percebe que pode virar um franguinho congelado. Tomara que ainda haja tempo para uma reação.

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