Em 22 de maior de 2014, Alexandre Frota foi entrevistado por Rafinha Bastos no programa “Agora é tarde”, na Band. A entrevista foi reprisada dia 25 de fevereiro, e virou polêmica nas redes sociais. Nesta quarta-feira, dia 04 de março, a organização Intervozes anunciou ter encaminhado ao Departamento de Acompanhamento e Avaliação do Ministério das Comunicações uma representação contra a Band e o programa de Rafinha Bastos. Motivo: banalizar e incentivar o crime de estupro durante entrevista com o ator Alexandre Frota.
Durante a entrevista, Alexandre Frota contou uma história, em tom de gozação e deboche, sobre uma relação sexual com uma mãe de santo contra a sua vontade, ou seja, que a teria estuprado. A vítima teria desmaiado durante o crime. Frota encenou a história, e Rafinha Bastos deu gargalhadas, assim como sua platéia, e o apresentador ainda incentivou uma salva de palmas “para essa história maravilhosa”.
Após o anúncio da Intervozes, Alexandre Frota deu uma entrevista ao portal IG e explicou que a história era fictícia e fazia parte de um stand-up comedy que ele apresentava. E que não se arrepende de nada: “É uma história contada em forma de piada, com humor. Não vou me desculpar de nada porque nada fiz de errado. Temos liberdade de criar e roteirizar, e é isso. Repeito as mulheres, sou muito bem casado e essa onda é falta do que fazer”, afirma.
De acordo com o Intervozes, em nota divulgada em seu próprio portal, a Band infringe o Código Brasileiro de Telecomunicações, a Constituição Federal e uma série de leis que proíbem o incentivo ao crime, o preconceito racial e religioso e o desrespeito à dignidade da mulher. E que o “Art. 221 afirma que a programação das emissoras deve privilegiar ‘as finalidades educativas, culturais, informativas e artísticas”, assim como “os valores éticos e sociais da pessoa e da família’.
E continua: “O episódio em questão não é violento apenas para a mulher vitimada diretamente na história, mas para todas as mulheres. E não há dúvidas sobre o impacto que conteúdos como este podem ter na naturalização, legitimação e perpetuação da violência contra a mulher em nosso país. É impressionante que, num país onde uma mulher é estuprada a cada 12 segundos, seja considerado possível rir de fatos como este. Mais impressionante ainda que uma concessionária de serviço público continue autorizada a levar ao ar cenas lamentáveis e criminosas como esta”.
Em 2013 a Band já havia sido notificada pelo Ministério das Comunicações por ter exposto um jovem suspeito de estupro.
Com a representação, o Intervozes espera que “desta vez, a punição aplicada pelo órgão seja efetiva a ponto de impedir que violências como esta continuem sendo praticadas – em nome do lucro e a despeito de suas brutais consequências – por uma concessionária do serviço público de radiodifusão”.
Para Frota, pelo jeito, a confusão e o processo só começou. Criticado sobre o assunto pelo Deputado Federal Jean Willis (assumidamente homossexual), em entrevista afinetou o deputado: “Eu, Jean Wyllys, ao contrário de você, realmente gosto de sexo viril, forte e com pegada. Gosto de sexo como homem, sexo fraco para mim não serve mesmo, Sr. Jean Wyllys. Seu problema é único. Ao ver a cena no Rafinha Bastos, interpretada por mim, se excitou e se viu no lugar da mãe de santo”. Clique aqui para ver toda a resposta do ator à crítica.
Clique aqui para ver a nota do Intervozes na íntegra, e confira abaixo a entrevista com Alexandre Frota (depois de 16min28seg):
Rafinha Bastos se pronuncia sobre entrevista polêmica com Alexandre Frota em seu programa na Band

