Nem todo mundo está usando mais tanto o Google. Segundo o mesmo estudo “O Mapa da Busca no Brasil 2026“, da Optimiza Marketing, 17,1% dos brasileiros dizem pesquisar menos no buscador hoje do que há um ano (11,9% “muito menos” e 5,2% “um pouco menos”).
Entender por que esse grupo específico está usando menos revela mais sobre o futuro do buscador do que a maioria estável consegue mostrar sozinha. Entre quem reduziu o uso, 34% apontam a promessa de respostas melhores da inteligência artificial como principal motivo.
Depois da IA, os motivos mais citados para a redução no uso do Google são o excesso percebido de anúncios (30%) e a rapidez das redes sociais como fonte de informação (29%).
O detalhe que chama atenção está no segundo lugar. Não é um concorrente externo que mais empurra o consumidor para longe do Google, é a própria experiência de uso do buscador, sobrecarregada de publicidade.
Vale destacar que esses 17,1% são minoritários no total da amostra. A maior parte dos brasileiros mantém ou aumenta a frequência de uso do buscador, como mostram outros dados do mesmo estudo.
Ainda assim, entender os motivos de queda dentro dessa fatia funciona como um radar antecipado, já que é nesse grupo pequeno que costumam aparecer primeiro os sinais de uma mudança de comportamento que, se ignorada, pode crescer.
“Esse dado devia assustar mais o mercado de mídia do que assusta. O motivo número um citado para abandonar o Google não é a concorrência, é o próprio excesso de anúncio que o Google carrega. Quando o anunciante vira o motivo da fuga, alguma coisa no modelo publicitário precisa ser repensada”, afirma Júlia Neves, CEO da Optimiza Marketing.
Para o mercado de mídia, o dado é um alerta direto. A saturação publicitária tem custo, e parte desse custo é justamente a perda de espaço do próprio canal que mais lucra com os anúncios, um ciclo que, se não for corrigido, tende a se retroalimentar.

Foto: Magnific
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