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Quando mudar é sinônimo de ficar tudo igual
08 de Julho de 2026

Quando mudar é sinônimo de ficar tudo igual

Texto aborda temas como corrupção, educação, saneamento básico e o papel do pensamento crítico na sociedade

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 08 de Julho de 2026 | Atualizado 08 de Julho de 2026

Em 1990 foi lançado o livro Agosto do romancista Rubem Fonseca. A estória que mistura realidade e ficção desenrola-se no antigo Distrito Federal (RJ) e aborda fatos acontecidos no período que antecedeu ao suicídio do Presidente Getúlio Vargas. São 24 dias de um enredo que começa pelo célebre atentado a Carlos Lacerda e que vitimou o Major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, um dos majores que faziam a segurança do jornalista Lacerda e, termina com o suicídio do presidente que jogou o país em um momento de turbulência colocando em risco as instituições.

Como já tinha lido o livro em meados dos anos 90 e, como um dos passatempos que tenho é frequentar os Sebos de Floripa, encontrei o livro e resolvi reler, quase 30 anos depois e, para minha surpresa, a dinâmica dos fatos políticos, das negociatas, das maracutaias, se repetem até hoje. Óbvio que em muito maior escala e com maior sofisticação.

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O que choca o leitor é que, de 1954 até hoje, a mudança foi para pior. A preocupação sempre é de buscar o poder, a que preço seja e, nunca em buscar o benefício para o povo que sustenta o sistema. A dimensão das negociadas acontecidas em 1954 não se comparam com os escândalos com que nos acostumamos a conviver nos tempos atuais, mas a dinâmica era parecida; ocupação de cargos públicos e infiltração de apaniguados nas instituições do Estado com interesses escusos. Esta dinâmica persiste até os tempos atuais.

Nos últimos anos o povo acostumou-se a ouvir falar em bilhões de reais sendo desviados para locupletar bolsos de políticos corruptos; são carros, apartamentos em condomínios luxuosos, viagens em jatinhos suspeitos feitos por todos os níveis de autoridades. O importante é “comprar” seus apoios ou esquecimentos. Uma boa gaveta sempre guarda bem um segredo!

Enquanto Pindorama tem sua Educação fragilizada, com anuência do Estado e, produz um povo com analfabetismo crônico, as consequências atingem o mercado de trabalho e é escancarada em perguntas feitas por influenciadores nas ruas da cidade. “Quantos segundos tem um minuto?” Das pessoas entrevistadas nenhuma acertou a resposta! É óbvio que as escolas, exceções existem, perderam o sentido para o qual foram criadas. Hoje, em sua maioria são depósitos de crianças, colocadas lá para garantir uma alimentação que os pais não se preocupam em fornecer.

Para encerrar a coluna acabo de ver um vídeo em que o Presidente do país se revela revoltado ao saber que 4 milhões de famílias não têm banheiro em casa; suas críticas são endereçadas a políticos, governadores e prefeitos. Será que o Senhor Presidente não tinha conhecimento dos relatórios do Instituto Trata Brasil? Há tempos li conclusões deste Instituto que fala em saneamento básico e suas deficiências; é Senhor Presidente, 100 milhões de brasileiros não têm acesso a saneamento básico, mais de 30 milhões não têm acesso a água tratada e 4 milhões fazem suas necessidades físicas em buracos ou ao redor de suas casas. E, depois de 20 anos no poder a desculpa é: eu não sabia? Pelo menos em consideração à minoria esclarecida poupe-nos da demagogia eleitoreira.

É importante citar Bertrand Russell que faz o diagnóstico perfeito do porquê nossa Educação é tão ruim, diz ele: “Os homens temem o pensamento como nada mais na face da Terra – mais que a ruína – mais até do que a morte… O pensamento é subversivo e revolucionário, destrutivo e terrível, o pensamento é impiedoso com o privilégio, com as instituições estabelecidas e com os hábitos confortáveis. O pensamento olha no abismo do inferno e não tem medo. O pensamento é grande, rápido e livre; é a luz do mundo e a principal glória do homem.”

Foto: Magnific

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