A edição de 2026 do Cannes Lions reforçou uma mudança de rumo na indústria da comunicação: em um mercado no qual ferramentas de inteligência artificial estão amplamente disponíveis, a criatividade voltou a ocupar o centro da estratégia das marcas. A avaliação é de especialistas do setor, que apontam que tecnologia e eficiência já não são suficientes para garantir diferenciação.
Ao longo do festival, os cases de maior destaque compartilharam uma característica em comum: em vez de disputar apenas a atenção do público, buscaram ocupar espaços relevantes na cultura, desafiar convenções e construir conexões mais consistentes com as pessoas. A tendência reflete um cenário em que a produção de conteúdo foi amplamente democratizada e a capacidade de criar significado passou a ser um ativo estratégico.
Na avaliação do mercado, a inteligência artificial tornou a execução mais acessível, mas também reduziu as barreiras tecnológicas entre empresas. Com isso, criatividade orientada por estratégia deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a ser um fator decisivo para a construção de marcas.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o desafio vai além da criação de conteúdo. Em um ambiente marcado pela influência crescente de algoritmos e conteúdos sintéticos, torna-se cada vez mais importante garantir que as mensagens sejam distribuídas em contextos adequados, fortaleçam a confiança do público e preservem a reputação das empresas.
Entre os profissionais disponíveis para comentar esse cenário está Marco Sinatura, diretor executivo de Estratégia e Inovação da iD\TBWA. O executivo pode analisar o que o Cannes Lions 2026 revela sobre o futuro das marcas, o retorno da criatividade como elemento estratégico na era da inteligência artificial, a integração entre dados, tecnologia e criatividade como motores de crescimento, além da importância da relevância cultural para gerar diferenciação em um mercado mais padronizado.
Outro tema em evidência é o papel da cultura na construção das marcas. Para discutir essa perspectiva, Guga Ávila, CEO da HIKE, destaca como a compreensão das características culturais, da música, do comportamento e das identidades regionais pode fortalecer a conexão entre empresas e consumidores.
A transformação também traz novos desafios para a proteção das marcas. Segundo Edvaldo Silva, diretor regional para a América Latina da Zefr, o avanço da inteligência artificial torna cada vez mais importante discutir a segurança dos ambientes onde a publicidade é veiculada. Entre os temas que podem ser aprofundados estão o crescimento dos conteúdos gerados por IA, seus impactos sobre a performance das campanhas e a evolução do conceito de brand suitability, que ganha relevância à medida que as redes sociais se tornam mais complexas e automatizadas.

Foto: Magnific
Entre em contato com o AcontecendoAqui se tiver interesse em divulgar seus trabalhos para a Comunidade AcontecendoAqui. Envie um e-mail para [email protected]