Recentemente li um conteúdo da minha colega Caroline Arossi no LinkedIn sobre proatividade tóxica. O tema me chamou atenção na hora, proatividade é um dos assuntos que mais gosto de trazer aqui na coluna, porque é uma das qualidades mais valiosas (e mais mal compreendidas) dentro de uma equipe.
Concordei com o raciocínio da Carol. No contexto que ela trouxe, esse tipo de proatividade realmente prejudica o time e os resultados da empresa. E isso merece ser destrinchado, porque a maioria dos gestores de agência trata proatividade como sinônimo automático de bom desempenho, sem perceber onde ela pode se tornar um problema.
Proatividade não é o vilão
Vamos deixar isso bem claro: ter gente proativa no time é maravilhoso. É um perfil raro e valioso, aquele profissional que tem iniciativa, que puxa a responsabilidade, que tem vontade genuína de fazer acontecer. Se você tem gente assim na sua agência, não é isso que precisa mudar.
O problema não está na proatividade. Está no ambiente em que ela é exercida.
Quando a proatividade se torna tóxica
Proatividade sem estrutura vira improviso. E improviso, na operação de uma agência, tem nome: retrabalho, decisão equivocada, cliente insatisfeito, time desalinhado. Isso acontece quando:
Falta objetivo claro. Sem saber qual meta está tentando alcançar, a pessoa pode pegar o caminho errado, e um caminho errado, percorrido com muita energia, ainda é um caminho errado. Gera retrabalho, atraso, desgaste.
Faltam diretrizes de princípios e valores. Sem clareza sobre o que é inegociável na empresa, a pessoa pode tomar decisões que resolvem o problema imediato mas ferem algo mais importante: tratar um cliente ou colega mal, por exemplo, mesmo “para resolver rápido”.
Falta visão compartilhada do todo. Quando a pessoa enxerga só o pedaço da informação que chegou até ela, decide sozinha sobre algo que impacta outros contextos e objetivos que nem sabia que existiam.
Falta clareza de responsabilidades. Sem saber até onde pode avançar sozinha e onde precisa consultar ou pedir aprovação, a autonomia vira um risco em vez de um ativo.
Falta rotina de comunicação e colaboração. Quando não existem rituais que tragam os problemas para serem resolvidos em conjunto, como desafios do time, com visões diferentes somando forças, cada um resolve isoladamente, do seu jeito, com a informação que tem.
Reparou o padrão? Nenhum desses pontos é sobre a pessoa. Todos são sobre gestão.
Pergunte-se
Antes de rotular alguém do seu time como “problemático” por tomar decisões que não deram certo, vale parar e perguntar:
– Essa pessoa sabia exatamente qual era o objetivo daquela entrega?
– Ela tinha clareza sobre o que é inegociável para a empresa?
– Ela enxergava o contexto completo, ou só o pedaço que chegou até ela?
– Ela sabia até onde podia decidir sozinha e onde precisava consultar alguém?
– Existe, na sua operação, um espaço estruturado para resolver problemas em equipe antes que virem decisões isoladas?
Se a resposta for “não” para a maioria, o problema não é a proatividade do time. É a ausência de estrutura por trás dela.
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O papel da gestão ágil aqui
A busca do gestor ágil não é conter a proatividade do time, é construir o ambiente propício para que ela seja bem canalizada. Isso significa criar objetivo claro, princípios definidos, visão compartilhada, responsabilidades delimitadas e rituais de comunicação que transformem problemas individuais em desafios coletivos.
Autonomia real, aquela que gera resultado sem gerar caos, não nasce do improviso. Ela é construída. E antes de cobrar mais iniciativa do time, é preciso fazer o dever de casa como gestão.
Eficiência gera rentabilidade. Rentabilidade gera crescimento sustentável. E eficiência começa exatamente aqui: dando direção para a energia que seu time já tem.
Sua agência não precisa de menos proatividade. Precisa de mais clareza. A energia da sua equipe já existe, a pergunta é: ela está sendo canalizada na direção certa, ou está sendo gasta corrigindo os efeitos de uma gestão que ainda não deu o direcionamento necessário?
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Foto em destaque foi gerada por IA
