A preservação das espécies que vivem no fundo do mar e da economia que depende de recursos marinhos é um dos objetivos da Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT).
Formada por mais de 57 países, a entidade se reúne na próxima semana para avaliar os estoques da Albacora-Branca, uma espécie de atum subtropical que se distribuí ao longo do Oceano Atlântico Norte, Sul e Mar Mediterrâneo. O pesquisador Rodrigo Sant’Ana, professor da Escola Politécnica da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), lidera a delegação científica brasileira no âmbito deste acordo internacional de conservação.
A designação do docente foi autorizada pelo governo federal e publicada no Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira (17). A viagem para Madri, na Espanha, onde fica a sede da ICCAT, aconteceu no sábado (20) e o retorno ao Brasil será na sexta-feira (26). Sant’Ana é especialista em dinâmica de populações pesqueiras e atua, desde 2025, como coordenador científico do Grupo Técnico-Científico de assessoramento do Comitê Permanente de Gestão da Pesca e do Uso Sustentável dos Atuns e Afins (GTC Atuns e Afins).
“Essa missão é importante por diversos aspectos. Teremos uma semana de trabalho contínuo e essa avaliação do estado do estoque sul vai nos ajudar a estimar quanto se tem embaixo d’água, e quanto ainda pode ser retirado de forma sustentável, permitindo que a indústria continue em atividade sem que a espécie seja ameaçada”, explica Sant’Ana. Durante a reunião, ele atuará como avaliador do estoque de Albacora-Branca.
Esse pescado é um tipo de atum subtropical que vive em águas frias e, relativamente, mais profundas. De acordo com o docente, o peixe tem um forte potencial de mercado no Brasil, com limites altos de produção e uma pesca abaixo do que é possível explorar sustentavelmente. O Albacora-Branca pode chegar a 1,5 metro de comprimento, bem maior que o Bonito-Listrado, uma das principais espécies de atum capturadas no Brasil.
O que é a ICCAT?
A Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT) é uma organização intergovernamental dedicada a promover a conservação e gestão dos recursos marinhos, e das pescarias relacionadas aos peixes de bico, como atuns, tubarões e outras espécies migratórias no Oceano Atlântico e mares contíguos.
A entidade foi criada em 1969, após uma reunião em território brasileiro, e é composta por mais de 57 países, incluindo Brasil e União Europeia. O aumento do consumo do atum, na primeira metade do século passado, e o possível risco de um esgotamento desse peixe, motivaram a criação do grupo com a finalidade de monitorar os estoques presentes no mar.
A Comissão internacional é responsável por implementar medidas de gestão e conservação dos estoques de atuns e outras espécies marinhas, tais como tubarões, peixes-espada e marlins.

Arquivo pessoal/Divulgação/Univali
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