Cannes 2026 | Entrevista com Brisa Vicente, Co-CEO da Droga5
18 de Junho de 2026

Cannes 2026 | Entrevista com Brisa Vicente, Co-CEO da Droga5

Ela será jurada da Categoria Brand Experience & Activation

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O Brasil tem uma capacidade muito particular de transformar contexto, emoção e comportamento e situações difíceis em ideias relevante

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Foto: Divulgação

 

Testemunhe a criatividade ganhar vida no Cannes Lions, onde trabalhos inovadores são premiados e líderes de pensamento influentes sobem ao palco. Pessoas do mundo todo se reúnem no Festival, permitindo que você construa uma comunidade global, troque e celebre ideias e impulsione o crescimento com pessoas que compartilham os mesmos ideais. Independentemente do estágio da sua carreira criativa, o Cannes Lions proporciona aprendizados, experiências e conexões incomparáveis. Desta forma, o Cannes Lions Festival está convidando a comunidade para sua edição 2026.

O Festival Cannes Lions é onde toda a indústria global de comunicação criativa se reúne. Aproximadamente 12.000 profissionais de mais de 100 países são esperados no Palais of Festivals and Congresses of Cannes.

Jurados Brasileiros em Cannes

O AcontecendoAqui cobre presencialmente o Festival Cannes Lions desde 2013. Nas semanas que antecedem o evento, realizamos entrevistas com alguns jurados brasileiros que estarão lá no Festival julgando presencialmente os trabalhos que concorrem em suas respectivas categorias.

Hoje apresentamos nossa conversa com a publicitária Brisa Vicente, Co-CEO da agência Droga5 São Paulo.

 

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2026?

É uma grande honra poder representar o Brasil e as mulheres líderes da nossa indústria em um espaço tão relevante. Brand Experience & Activation é uma categoria que tem uma conexão direta com a minha trajetória profissional, então participar desse processo também tem um significado pessoal. Além do reconhecimento, vejo como uma oportunidade de contribuir para uma conversa global sobre criatividade, experiências de marca e construção de relevância.

 

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?

Essa talvez seja uma das partes mais enriquecedoras da experiência. Cannes reúne profissionais com repertórios, culturas e realidades muito diferentes, mas que compartilham o mesmo desafio. Criar conexões relevantes entre marcas e pessoas. Tenho muita curiosidade para entender como diferentes mercados estão respondendo às transformações culturais, tecnológicas e comportamentais que estamos vivendo. É uma oportunidade única de ampliar repertório, trocar visões e aprender com perspectivas muito diversas.

 

O Festival passou por grandes reformulações nas três últimas edições. O que você poderia citar sobre essas mudanças e o que será avaliado em Brand Experience & Activation, categoria que você vai julgar?

Tenho percebido um movimento cada vez mais forte em direção a trabalhos que geram impacto real e constroem valor de longo prazo para as marcas. A criatividade continua sendo central, mas existe uma expectativa crescente de que ela esteja conectada a resultados, relevância cultural e experiência genuína.

Em Brand Experience & Activation, estaremos olhando trabalhos que não sejam só uma ativação grandiosa ou uma execução sofisticada. Os projetos que mais se destacam costumam ser aqueles em que criatividade, contexto cultural, experiência e verdade de marca estão completamente alinhados e geram impacto real na vida das pessoas.

 

Atualmente a publicidade abraçou as ferramentas de IA. Na sua categoria ela também está em alta?

A IA já faz parte do cotidiano da indústria e também aparece cada vez mais nas experiências de marca. Mas acredito que o mais importante não é a tecnologia em si. O que faz diferença é como ela é usada para criar experiências mais relevantes, resolver problemas reais ou ampliar a conexão entre marcas e pessoas. A IA pode acelerar processos e abrir novas possibilidades, mas a criatividade continua dependendo da sensibilidade humana, da interpretação de comportamentos e da capacidade de entender contextos culturais.

 

Você acredita que as inscrições neste ano estarão carregadas de trabalhos finalizados com IA? Em quais categorias isso mais vai aparecer?

Acredito que veremos a IA presente em praticamente todas as áreas do Festival, porque ela já faz parte da forma como muitas equipes trabalham. Em algumas categorias isso tende a aparecer de maneira mais evidente, mas acredito que a discussão mais interessante não será sobre quem usou IA, e sim sobre quem usou melhor.

 

Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer em Cannes neste ano.

Temos alguns projetos dos quais nos orgulhamos muito porque refletem a forma como acreditamos que as marcas devem se relacionar com as pessoas, criando experiências relevantes, conectadas à cultura e capazes de gerar impacto para o negócio. Temos também um range variado de cases para clientes, segmentos e objetivos que estamos submetendo ao festival.

 

Por que o Brasil valoriza tanto Cannes? Um dos países com maior número de inscrições, visitantes e leões.

Porque a criatividade faz parte da nossa identidade cultural. O Brasil tem uma capacidade muito particular de transformar contexto, emoção e comportamento e situações difíceis em ideias relevantes. Somos um país diverso, resiliente, culturalmente rico e muito conectado às pessoas. Cannes é uma vitrine importante para mostrar essa potência criativa para o mundo, mas também é uma oportunidade de aprendizado. E brasileiro valoriza esse ambiente porque gosta muito de uma boa competição.

 

O que é mais importante em Cannes? Ganhar um Leão, palestras ou conhecer pessoas?

O prêmio é uma consequência importante porque reconhece excelência criativa. Mas, para mim, Cannes é sobretudo um espaço de aprendizado e troca. As palestras trazem novas perspectivas, os trabalhos ampliam nosso repertório e as conversas geram conexões que vão muito além do Festival. O mais valioso é voltar com uma visão mais ampla sobre os movimentos que estão transformando a indústria e sobre como podemos aplicar esses aprendizados.

 

O que não falta na sua bagagem para Cannes?

Curiosidade, definitivamente. Mas, falando da mala literalmente, depois de algumas idas a Cannes aprendi que ela também precisa ser estratégica. O calor costuma ser intenso, os dias são longos e o sol se põe bem mais tarde do que estamos acostumados no Brasil, então a programação acaba se estendendo naturalmente entre reuniões, palestras, encontros e eventos, portanto calçados confortáveis e um casaquinho para o ar-condicionado do Palais.

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