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Cadier critica gestão do turismo e alerta para impacto da reforma tributária
11 de Junho de 2026

Cadier critica gestão do turismo e alerta para impacto da reforma tributária

Executivo também comenta o uso do Fnac para financiar o setor e aponta o custo do combustível como um dos principais desafios da aviação

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O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, fez críticas à condução do turismo nacional durante o seminário LIDE Turismo, realizado nesta quarta-feira (10/6), na região da Faria Lima, em São Paulo. Em um discurso marcado por avaliações diretas sobre o setor, o executivo classificou o desempenho coletivo da atividade turística brasileira como “medíocre” e voltou a defender a necessidade de um planejamento de longo prazo. Também demonstrou preocupação com os efeitos da reforma tributária sobre a aviação, afirmando que a carga de impostos da companhia poderá triplicar.

“Se individualmente nós, companhias aéreas, além das empresas de outros segmentos do setor, fazemos um trabalho bom, coletivamente o Turismo do Brasil faz um trabalho medíocre. Temos de reconhecer isso”, apontou Cadier a uma plateia composta por tomadores de decisão da indústria. Como exemplo, ele citou o Chile, que registra o dobro de passageiros aéreos por habitante em comparação ao Brasil.

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Falta de planejamento preocupa setor

Conhecido por posicionamentos firmes em eventos públicos, Cadier afirmou que o turismo brasileiro não precisa de subsídios, mas de previsibilidade para crescer de forma consistente.

“Não vou nem falar de incentivo público, pois fica a impressão de que estamos pedindo dinheiro. O que precisamos é de um plano de longo prazo. E simplesmente não existe plano de longo prazo no Turismo do Brasil”, afirmou Cadier.

Segundo ele, a própria dinâmica da aviação exige planejamento de longo prazo. O executivo lembrou que uma aeronave demanda investimentos entre US$ 40 milhões e US$ 200 milhões para operar no Brasil e que o retorno costuma ocorrer apenas após cerca de sete anos.

“Ou seja, é impossível evoluir na aviação e no Turismo olhando em curto prazo. Em 20 anos, o Brasil teve 20 ministros do Turismo. Desta forma, que ministro consegue pensar em longo prazo se cada um que entra refaz tudo?”

Reforma tributária preocupa companhias aéreas

Outro tema que dominou a apresentação foi a reforma tributária. De acordo com Cadier, a Latam desembolsa atualmente cerca de R$ 2 bilhões por ano em tributos. Com a implementação das novas regras, esse montante poderá alcançar R$ 6 bilhões.

“A reforma tributária é necessária para o País e para outros setores, mas para a aviação, da maneira que está posta, é uma bomba atômica, um desastre. E vale dizer que não é a companhia, não é a Latam que vai pagar por isso. A Latam só repassa os custos, é o cliente que voa com a Latam que vai pagar a conta. Não estamos pedindo redução de impostos. Estamos pedindo que não aumentem a carga como ela é hoje.”

Durante o debate, o fundador e presidente da Copastur, Edmar Bull, questionou quais medidas as companhias vêm adotando para reduzir os impactos da reforma sobre consumidores e empresas. Em resposta, Cadier destacou as dificuldades enfrentadas pelo setor na tentativa de sensibilizar o poder público.

“Tem sido muito difícil o trabalho de convencimento de que essa reforma vai impactar diretamente no bilhete aéreo”, disse.

O executivo explicou ainda que, nos voos internacionais, a tributação atualmente é praticamente inexistente, mas poderá chegar a aproximadamente 13% com a nova legislação.

“O Brasil vai se tornar um pária mundial nesse sentido. E, em relação aos voos domésticos, a alíquota cheia será aplicada com um redutor por cotas regionais, mas mesmo assim a carga sobe significativamente. Hoje pagamos 9%. Veja, reforço que não estamos discutindo redução de imposto, e sim manutenção. Essa carga será três vezes o que arrecadamos hoje. Confesso que não estou otimista com o desfecho das negociações.”

Apesar da expectativa, histórico inspira cautela

Ao comentar o pedido de crédito do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), protocolado no Ministério de Portos e Aeroportos também nesta quarta-feira, Cadier reconheceu a importância da iniciativa, mas observou que o mecanismo ainda não foi utilizado de forma efetiva para impulsionar o desenvolvimento do setor desde sua criação.

“O que estamos discutindo há quase dois anos é que esse fundo seja utilizado para ajudar em períodos de crise. Não foi possível durante a pandemia, mas agora, nessa crise do combustível, a utilização do Fnac para ajudar o financiamento das companhias é uma muito boa ideia”

A linha de crédito, operada pelo BNDES, prevê R$ 5,5 bilhões para o setor. Empresas que detenham mais de 5% do mercado doméstico poderão acessar até R$ 1,8 bilhão cada. Em contrapartida, as companhias deverão ampliar em 15% sua malha aérea nas regiões Norte e Nordeste.

Combustível segue pressionando custos

Cadier também abordou o impacto do querosene de aviação sobre as operações. Segundo ele, o preço do barril passou de US$ 90 para US$ 180, pressionando os custos das empresas.

“A Latam continua crescendo na comparação com o ano passado, mas crescendo um pouco menos, repensando frequências. Ainda não tiramos nenhuma rota, mas os preços vêm subindo para compensar parte desse efeito combustível”, explicou.

Ao encerrar sua participação, o executivo voltou a defender uma mobilização conjunta em torno do desenvolvimento do turismo brasileiro.

“Sou movido pela dor. A dor de ver países inferiores a nós, com hospitalidade muito abaixo da nossa, e que estão muito melhores em turismo. O convite aqui é para encontrar solução.”

Jerome Cadier (Foto: PANROTAS/Emerson Souza)

Fonte: Panrotas.com.br

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