O primeiro Bitcoin chegou ao Brasil pouco depois do lançamento da dobradinha Bitcoin/blockchain. O modelo foi divulgado na internet em 2008 e em 2009, já tinha brasileiro aderindo à novidade. No entanto, ainda que tenha havido entusiasmo imediato por parte daqueles que amam tecnologia, tanto o comércio varejista quanto o setor industrial demoram bem mais.
Os primeiros estabelecimentos aceitando pagamentos em criptomoeda incluem um estúdio de tatuagem (Wayne Tattoo, em 2013) e uma casa de câmbio (BitcoinToYou, 2014). Pagar um jantar em Bitcoin parecia um futuro distante e mal se falava em investir no mercado imobiliário utilizando criptomoedas.
Atualmente, a situação é bem diferente. O Brasil é o 6º maior país do mundo em número de detentores de criptomoedas, tendo movimentado mais de R$1,5 trilhão, somente entre 2024 e 2025. Além disso, mais de 90% das movimentações em stable coins na América Latina passam por aqui.
Por isso mesmo, quando os preços das criptomoedas começam a oscilar, milhões de investidores brasileiros ficam de olho vivo. Este momento, por exemplo, é ideal para gastar aqueles BTCs que ficaram guardados durante o período de baixa. Com a criptomoeda mais famosa supervalorizada, é hora de colher os benefícios. Entenda como aqui.
Navegando a Criptomaré
Imagem: Pixabay
Em maio deste ano, o Bitcoin atingiu a chamada “marca psicológica” de USD 80K. Isso significa que a cotação da criptomoeda ultrapassou este valor repetidas vezes nos últimos três meses. Tal padrão sugere uma estabilização neste patamar, embora os mais otimistas acreditem que seu valor ainda possa chegar a USD 100K.
Longe de ser infundado, este otimismo é lastreado pela inserção de EFTs no mercado, além de um aumento expressivo de adesão institucional à moeda. Sem dúvida, é um momento tentador para os investidores e cada vez mais comerciantes oferecem a opção “pague com bitcoin” em seus sites.
No entanto, há também os mais cautelosos, que enxergam neste momento de alta o prenúncio de um período de correção de valores ou, em outras palavras, de queda. A priori, é impossível saber quem está certo ou errado. Afinal, a volatilidade é a marca registrada das altcoins, de modo geral.
Mapeando as ondas
O valor de um Bitcoin (ou de qualquer outra altcoin) é meramente especulativo, baseado nos movimentos de oferta e demanda do mercado. No entanto, quem quiser obter lucro enquanto se protege de quedas repentinas precisa olhar para este mercado com mais nuance. Não basta perceber que o BTC subiu e sair vendendo.
É preciso observar a movimentação dentro de um panorama histórico: este é o nível mais alto de sempre? Por quanto tempo o último período de alta durou? Há algum fator geopolítico impulsionando esta alta? Nesse sentido, um dos conceitos mais importantes é o de “zona de alta resistência”.
Uma zona de alta resistência é uma faixa de valor que se tenha provado difícil de superar. Geralmente, acontece ao redor das dezenas de milhares (70K, 80K, 90K, etc.). Ao atingir tais valores, há uma tendência de venda massiva de BTCs, o que mantém os preços no mesmo patamar por mais tempo, eventualmente, causando até mesmo uma queda.
Cabe lembrar que o BTC é um ativo quase 2,5 vezes mais volátil do que as ações tradicionais. Ou seja, assim como ele pode chegar à zona de resistência e cair, também pode chegar lá e rompê-la; já aconteceu antes. Por isso, é difícil encontrar um investidor experiente vendendo todos os seus BTCs nessas horas, o que poderia privá-lo de lucros futuros.
Em vez disso, vendem apenas parte de suas carteiras para fazer reserva para novos investimentos. Aqueles que têm um olhar de longo prazo enxergam no BTC uma forma de reserva de valor. Essa estratégia ficou conhecida pelo acrônimo em inglês “HODL”: “hold on for dear life”, ou algo como “segure com todas as forças”.
Em busca de suporte
Imagem: Pixabay
Bitcoins já estiveram acima dos USD 80K antes; o que interessa mesmo é por quanto tempo conseguem continuar lá. Para que uma alta expressiva na cotação se reflita em ganhos estáveis no longo prazo, é preciso que o seu custo médio se mantenha nessa marca por 155 dias; marca esta ainda não atingida.
Por este motivo, há especialistas que defendem que o valor de USD 80K não será consolidado como suporte, até que haja fechamentos consistentes acima de USD 81.500 por um período prolongado. Enquanto isso não acontecer, seu potencial de valorização de curto prazo seguirá limitado.
Isso porque boa parte dos investidores recentes estarão no prejuízo com cotações até USD 81.486, aumentando a pressão de vender. Tal pressão tende a se refletir na limitação de alta dos preços. Ou seja, para os investidores de curto prazo, o lucro começa acima da marca de USD 81.500.
O Porto e a Tempestade
Para o investidor experiente, a marca de 80K (atingida pela primeira vez em 2024) não é uma linha de chegada, mas uma encruzilhada. Haverá correção ou os preços continuarão a subir? Embora o período de alta seja uma boa oportunidade para vender BTCs, não é aconselhável vender tudo de uma vez. Afinal, o potencial da mãe de todas as criptomoedas é ilimitado.
Imagem de Bianca Holland por Pixabay


