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Clonagem de voz por IA eleva preocupação com fraudes digitais
03 de Junho de 2026

Clonagem de voz por IA eleva preocupação com fraudes digitais

Especialista da ESEG defende avanço das regras para proteger dados e identidade dos usuários

O avanço acelerado da inteligência artificial generativa tem ampliado os debates sobre privacidade, segurança digital e proteção de dados no Brasil.

Ferramentas capazes de clonar vozes, reproduzir rostos e criar vídeos falsos hiper-realistas já são utilizadas em fraudes financeiras, golpes digitais e ataques à reputação, levantando questionamentos sobre os limites legais desse tipo de tecnologia.

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Embora o país ainda não tenha uma legislação específica para inteligência artificial, especialistas apontam que a Constituição Federal, o Código Civil e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já oferecem mecanismos de proteção para casos de uso indevido de voz e imagem.

Segundo Marino Catarino, professor de Inteligência Artificial da Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, a legislação brasileira reconhece voz e traços faciais como dados biométricos sensíveis, o que exige consentimento explícito para coleta e utilização dessas informações.

“A legislação brasileira já protege expressamente voz e imagem contra o uso não autorizado por inteligência artificial. A LGPD classifica voz e traços faciais como dados biométricos sensíveis, exigindo consentimento explícito para tratamento dessas informações”, afirma Marino Catarino.

O especialista explica que a criação de deepfakes e clones de voz sem autorização pode gerar responsabilização civil e criminal, especialmente quando há exploração comercial, golpes financeiros ou danos à reputação da vítima.

“A clonagem de voz por IA pode ser enquadrada como crime quando utilizada para fraudes financeiras, ataques à honra ou manipulação eleitoral. Dependendo do caso, também pode haver responsabilização pelo uso indevido de dados para treinamento de sistemas”, destaca o professor da ESEG.

Apesar das garantias previstas na LGPD, o avanço da inteligência artificial ainda expõe desafios jurídicos importantes. Um dos principais pontos de preocupação é a dificuldade de rastrear como imagens, áudios e dados pessoais são utilizados no treinamento de modelos de IA.

De acordo com Marino Catarino, a tecnologia evolui em ritmo mais acelerado do que a capacidade de fiscalização das autoridades e da própria legislação. “Hoje existe uma dificuldade prática de rastreabilidade quando dados já foram incorporados ao treinamento de redes neurais complexas. Além disso, ainda há lacunas sobre responsabilidade civil de desenvolvedores e direitos autorais relacionados às identidades sintéticas criadas por algoritmos”, explica.

O crescimento dos golpes digitais também preocupa especialistas. Com poucos segundos de áudio ou vídeo publicados em redes sociais, criminosos conseguem reproduzir vozes e rostos com alto grau de realismo para aplicar fraudes por aplicativos de mensagem, chamadas falsas e até tentativas de burlar sistemas bancários.

“Esse avanço torna o cidadão comum muito mais vulnerável a golpes de engenharia social personalizada. A inteligência artificial permite automatizar fraudes em larga escala e aumentar significativamente o potencial de convencimento dos criminosos”, alerta Marino Catarino.

Outro ponto levantado pelo especialista da Faculdade ESEG é a dificuldade enfrentada pelas vítimas para comprovar judicialmente o uso indevido de sua imagem ou voz. Segundo ele, embora seja possível produzir provas, o processo ainda exige rapidez e suporte técnico especializado.

“A recomendação é registrar imediatamente provas digitais por meio de atas notariais, além de acionar a plataforma responsável pelo conteúdo e registrar boletim de ocorrência, preferencialmente em delegacias especializadas em crimes cibernéticos”, orienta o professor da ESEG.

Enquanto o Marco Legal da Inteligência Artificial segue em tramitação no Congresso Nacional, empresas que utilizam IA generativa já começam a adotar protocolos internos de transparência, governança de dados e auditoria de conteúdo para reduzir riscos jurídicos e reputacionais.

Para Marino Catarino, os próximos anos devem intensificar discussões sobre responsabilidade de algoritmos, direitos autorais em conteúdos produzidos por IA, exclusão de dados usados no treinamento de modelos e limites éticos para decisões automatizadas. “A regulamentação da inteligência artificial será inevitável para equilibrar inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e proteção de direitos fundamentais”, conclui o docente da Faculdade ESEG.

Foto: Magnific

 

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