Gestão de pessoas ganha destaque no novo modelo de agência
O presente das agências de propaganda é desafiador, pelo que confirmou a apresentação do workshop sobre modelo de gestão, por Antonio Lino Pinto, nesta quinta-feira (8/11), em Joinville. Sócio da Talent Comunicação e autor do livro Pequenas agências grandes resultados, Lino abriu o evento promovido pelo Sinapro/SC desenhando o cenário. “Economicamente não tivemos um ano de crescimento significativo, a despeito do que poderemos ver nos balanços”, disse. Embora pareça o contrário, esta não foi uma forma pessimista de começar uma palestra para indicar novos rumos. O sócio do grupo Talent utilizou a realidade para ir além na abordagem que deu à administração de empresas com a missão atual de se reinventarem. “Não está nada fácil ganhar um cliente hoje, mas mantê-lo é ainda mais difícil”, constatou Lino. Empresários e profissionais das áreas administrativa e financeira das agências de Santa Catarina conheceram neste workshop processos embasados em planejamento, o que segundo Lino é indispensável para prever situações oscilantes e tomar atitudes antecipadamente. Budget, faturamento, administração tributária foram abordados pelo palestrante. Lino defendeu o controle de metas, por sistemas de planilhas que possam ser avaliados semanalmente. Isso serve também, segundo ele, para satisfazer a demanda dos profissionais, que querem saber sob que parâmetros são avaliados pela empresa. Também sugeriu cautela em investimentos, recomendou que as agências não gastem por conta, mesmo que exercitem bem o papel da pró-atividade na relação com o cliente. “O Júlio (Ribeiro) costuma dizer que o cliente sempre tem um dinheirinho escondido para comprar duas boas ideias”, descontraiu.
Sobre a adaptação das agências aos padrões de remuneração, Lino assinala que é hora de dar muito mais atenção aos contratos, deixar clara a forma de pagamento negociada entre cliente e anunciante, seja ele público ou privado. “De preferência procure advogados que entendam do nosso negócio, porque agora o que vimos acontecer com o Governo Federal foi a falta de conhecimento e compreensão do que fazemos e pelo que recebemos. Isso também afeta a imagem do setor, das empresas.”. Mas, para o palestrante, de todos os pilares de gestão do negócio de propaganda (Financeira, Operacional, Pessoal) a gestão de pessoas ainda é uma área que precisa de maior atenção e onde se podem alcançar os melhores resultados. “Quando você apaga a luz da sua agência, à noite, ela não vale nada. Vendemos ideias e sem pessoas não somos um negócio”, argumentou.
A mudança de comportamento entre os jovens, pela pesquisa apresentada por Lino no workshop, a nova geração de publicitários não veste a camisa motivada apenas pela remuneração. “Eles querem ser mais participativos, opinar e acreditam que podem assumir mais responsabilidades, crescer mais rapidamente numa empresa”, descreveu. A alta rotatividade nas agências por conta de uma impaciência desses jovens profissionais impede que se crie uma equipe identificada com o modelo de gestão e de atendimento, pela análise do gestor da Talent. Além disso, Lino aponta direções urgentes na estrutura das agências para a sua manutenção nos tempos atuais. “As empresas, independente do ramo, precisam diminuir custos e produzir mais, buscar os meios legais de se trabalhar com esses perfis de profissionais em modelos de contratos que permitam ter pessoas em home offices ou com horários mais flexíveis, até porque é preciso levar em conta também as novas realidades urbanas.”.
