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Os Surdinhos
06 de Novembro de 2012

Os Surdinhos

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1. Um casal de namorados passeia distraidamente por um parque. Ele, timidamente. Ela, cheia de amor pra dar.

 

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Ao passarem por um lugar onde uma obra está sendo realizada, ouvem de um operário:

“Ô, cara, não fica por aí dando sopa com a mina. Leva ela para um lugar escuro.”

Rosto vermelho de vergonha, ele finge que não ouve.

 

Mais adiante passam por um local onde dois velhinhos, sentados em um banco, conversam. Um deles interrompe o papo e se dirige ao jovem namorado:

 

“De mãos dadas não basta, rapaz. Leva ela pro seu apartamento.”

 

Finalmente chegam na casa da namorada. Ele, todo respeitoso, se despede:

 

“Tchau, meu amor.”

 

Ao que ela, sem esconder a decepção, responde:

 

“Tchau, meu surdinho.” (contado por Son Salvador no jornal aqui e recontado por mim, do meu jeito)

 

2. “Se você quer entender como a propaganda funciona, clique aqui.

 

“É muito simples: não funciona. Todas as grandes marcas que importam na sua vida foram construídas com propaganda consistente calcada com inteligência, conceitos sólidos e bordões memoráveis. Coisas que a turminha do digital despreza.”

 

“Faça o teste. Peça um bordão para sua agência online e repare na cara de nojo que eles fazem.”

 

Rede social viral, aplicativo e toda essa geringonça modernosa têm muita tecnologia, mas nenhuma eficácia. Não é à toa que o recall das campanhas online é tão baixo. Elas simplesmente não ficam na sua cabeça.”

 

“Por isso, surgiu a Komodo. uma agência com uma proposta bem clara: fazer propaganda”

 

“Daquele tipo que você entende e o consumidor também entende. Porque as pessoas de verdade estão se lixando para o digital. Estamos cansados de ouvir que a internet é o futuro. Queremos ver resultados concretos para as marcas hoje, não daqui a 10, 15 ou vinte anos.”

 

“Se você, anunciante, também pensa assim, fale com a gente: (11) 2533-6108.”!

 

3. Li esse anúncio na Meio e Mensagem de 22 de outubro, uma segunda-feira. Anotei o telefone, porque queria ver se essa tal de Komodo existia mesmo. Não encontrei tempo pra isso, a semana foi de muito trabalho.

Quinta e sexta-feira da mesma semana fui ao Mídia Santa Cataria, um senhor evento onde o presente e o futuro da Comunicação foram exaustivamente analisados. E onde ficou claríssimo que essa atividade passa por profundas transformações.

Mas não vi lá os diretores do Sinaprosc, os donos das agências, os anunciantes, a maioria dos professores de Comunicação e dos estudantes.

Lembrei-me da Komodo.

 

4. Semana seguinte, Meio Mensagem trouxe um anúncio, que dizia:

“Agência Komodo. Tem vezes que o melhor jeito de falar a verdade é inventando uma história.”

 

1.  “A agência Komodo não existe.”

 

2.  Pensando bem, talvez ela exista.”

 

“A agência Komodo é apenas uma criação do IAB Brasil. Mas, como toda criação, ela tem um fundo de verdade.

 

E a verdade é que no mercado publicitário brasileiro ainda tem muito Komodo.

 

Tem a parte de que todo mundo já sabe: a internet é o segundo meio mais importante do Brasil e atinge 84 milhões de pessoas, sendo o segundo país que mais utiliza redes sociais.

 

Mas a beleza da internet é que ela potencializa os outros meios. Dos 96% de brasileiros que assistem à TV regularmente, 41% acessam a internet em casa e 43% desses fazem as duas coisas ao mesmo tempo. 80% dessas pessoas que ligam a TV ou mudam o canal por causa d internet. (fonte: IBOPE Media, Estudo Social TV 2012)

 

Se com tudo isso o investimento em internet ainda rasteja, só pode ser por culpa de uma mentalidade komodizada. Um prejuízo para marcas e anunciantes, que perdem eficácia ao ignorarem uma estratégia de comunicação mais convergente.

 

Se o Brasil não fosse tão conservador, ninguém acreditaria que uma agência inspirada no último dinossauro vivo poderia ser verdade.”

 

5. Lembrei-me da história do surdinho.

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