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O Sistema Nacional das Agências de Propaganda, formado pela Fenapro, 19 Sinapros e 3 delegacias distribuídas pelo país, divulgou os resultados da Sondagem do Cenário de Remuneração nas Agências.
Realizado no último trimestre de 2025 com 91 empresas de 23 estados, o levantamento apresenta um panorama detalhado sobre salários, modelos de trabalho e benefícios oferecidos aos colaboradores. Os dados foram auditados por uma consultoria independente e incluem informações sobre remuneração fixa, bônus e comissões em diferentes cargos.
“Esta sondagem visa fornecer dados estratégicos para que as agências possam traçar políticas de pessoal essenciais para o desenvolvimento do negócio, em um mercado em constante transformação, no qual as pessoas são seus principais ativos”, afirma Ana Celina Bueno, presidente da Fenapro.
Salários
De acordo com o estudo, conduzido pela Celerh, a média salarial nas agências é de R$ 4.318,00, desconsiderando posições de liderança. Ao todo, mais de 200 funções foram analisadas em diferentes regiões do país. A pesquisa também segmenta os dados por porte das empresas: 65% das agências têm até 30 colaboradores, 25% contam com equipes entre 31 e 99 pessoas, e 10% possuem mais de 100 funcionários.
Mulheres
A análise do perfil dos profissionais indica que mulheres representam 59% da força de trabalho, sendo 40,6% em cargos de liderança. O dado aponta para um avanço na ocupação de posições estratégicas por mulheres, historicamente dominadas por homens.
O levantamento também evidencia a consolidação de modelos de trabalho mais flexíveis. Cerca de 78% das agências adotam o home office, seja no formato híbrido ou remoto, enquanto 70% oferecem horários flexíveis. Segundo os participantes, o modelo remoto amplia as possibilidades de contratação em diferentes regiões, embora o formato 100% remoto ainda seja menos frequente.
“A flexibilidade, expressa no home office ou horário flexível, deixou de ser um diferencial competitivo, pois isso não garante mais a atração de talentos, mas é fundamental para evitar que os colaboradores se sintam insatisfeitos”, comenta a presidente da Fenapro.
Freelancers
Outro destaque é o avanço do modelo “anywhere office”, que permite às empresas recrutar profissionais em qualquer parte do país, ampliando o acesso a talentos e possibilitando estratégias mais eficientes de custo. “Para as agências, isso representa uma oportunidade estratégica de arbitragem de custos e acesso a competências escassas fora do eixo Rio-SP”, afirma a presidente da Fenapro. Por outro lado, o modelo impõe desafios, como a gestão de equipes distribuídas e a definição de políticas salariais. “A tendência aponta para modelos híbridos que ponderam custo de vida local com a senioridade e criticidade da posição”, explica Ana Celina.
Benefícios
O estudo também aponta uma mudança no conceito de proposta de valor ao colaborador (Employee Value Proposition), com foco na personalização dos benefícios. Entre as empresas participantes, 70% oferecem horário flexível, 61% concedem folga no aniversário e 48% disponibilizam estacionamento. Outros benefícios incluem incentivo à educação (40%), plano de academia (30%), licença-maternidade estendida (29%) e check-up de saúde (24%), além de iniciativas voltadas ao bem-estar mental.
Na gestão de pessoas, 48% das agências possuem plano de cargos e salários, enquanto 59% adotam avaliações de desempenho e programas de desenvolvimento individual. O estudo também aponta uma tendência de adoção de People Analytics, conectando indicadores de performance aos resultados de negócio para orientar políticas de remuneração variável e bônus.
A análise financeira mostra que os benefícios representam entre 30% e 40% do custo total por colaborador. Embora auxílios de curto prazo, como saúde e alimentação, estejam consolidados, o uso de ferramentas de retenção de longo prazo ainda é limitado. O levantamento indica que, para competir com empresas de tecnologia e startups, as agências precisarão aprimorar seus pacotes, incluindo incentivos como bônus de contratação e previdência privada.
O projeto é uma evolução de uma iniciativa iniciada pelo Sinapro-SP em 2025 e agora ampliada para todo o país, com metodologia voltada à confiabilidade dos dados e análise aprofundada do cenário.
“A decisão de levar a Sondagem para o âmbito nacional, integrando a Fenapro e todos os Sinapros, eleva a relevância dos dados. Saímos de uma visão estadual para uma inteligência de mercado que abrange as especificidades regionais, mas com o peso de uma base de dados robusta e segura, fundamental para um setor que depende 100% dos seus talentos”, afirma Patrícia Alexandre, Diretora Executiva do Sinapro-SP.
Segundo a Fenapro, o estudo reforça o compromisso do sistema em oferecer ferramentas práticas para apoiar as agências em seus desafios estratégicos. O relatório completo será disponibilizado às empresas participantes, enquanto as demais associadas poderão adquiri-lo por meio dos Sinapros.
“Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, decisões estratégicas precisam ser guiadas por dados. Quando isso não acontece, não é apenas uma empresa que se fragiliza, mas todo o setor pode ser impactado. Por isso, pesquisas como esta, que acabamos de entregar para o Sistema Nacional das Agências de Propaganda, são essenciais, pois apresentam um diagnóstico do mercado e ajudam as empresas a se estruturarem melhor, inclusive na formação, atração e retenção de talentos, ampliando sua capacidade de competir”, comenta Eliana Pitta, COO da Celerh.
A pesquisa passa a ser anual e se consolida como uma ferramenta estratégica para o setor, ao lado de outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à inteligência de mercado da publicidade brasileira.
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