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O Censo de Agências 2026, elaborado pela Operand, ajuda a dar contorno a isso. Para quem não conhece, a Operand é uma plataforma brasileira de gestão que está dentro da operação de centenas de agências. Ou seja, não é uma fotografia distante. É um retrato de quem está no dia a dia.
E o que esse retrato mostra?
Um mercado que evoluiu na forma. Mas que ainda não resolveu o básico.
Os avanços existem e são consistentes.
O modelo de FEE mensal se consolidou. Mais de 80% das agências operam nesse formato. Isso traz previsibilidade, aproxima cliente e agência e reduz a lógica puramente transacional.
O trabalho remoto e híbrido virou padrão. A estrutura de contratação começa a se organizar. A precificação por horas ganha espaço e indica uma tentativa de trazer mais racionalidade para a formação de preços.
Tudo isso aponta para um mercado mais profissional.
Mas tem um número que muda a leitura.
A maior parte das agências pesquisada gera entre R$ 2 mil e R$ 6 mil de receita por colaborador ao mês.
Esse é o ponto.
Porque não estamos falando de faturamento total. Estamos falando de produtividade.
E, na prática, isso revela um setor que ainda opera com margem pressionada.
Ao mesmo tempo, o modelo de gestão segue fragilizado.
A maioria dos líderes ainda acumula função operacional, comercial e de atendimento. Poucos conseguem, de fato, atuar como gestores.
Na prática, quem deveria estar olhando o negócio continua ocupado fazendo o negócio acontecer.
E isso tem custo.
Custo de crescimento. Custo de escala. Custo de decisão.
Existe também um ponto que precisa entrar de vez na conversa.
A relação com os clientes.
O mercado avançou, mas a dinâmica comercial ainda carrega distorções. Prazos cada vez mais curtos, escopos pouco estáveis, demandas que crescem ao longo do contrato e pagamentos que nem sempre acompanham a realidade operacional de quem executa.
Não existe cadeia sustentável com um lado sempre absorvendo pressão.
No campo tecnológico, a inteligência artificial já está incorporada ao dia a dia.
Mas ainda concentrada em tarefas operacionais. Geração de ideias, textos, imagens.
O uso em análise de dados e, principalmente, em gestão financeira ainda é mínimo.
Ou seja, estamos ganhando velocidade.
Mas ainda não estamos ganhando inteligência de negócio.
E isso tende a separar quem vai crescer de quem vai ficar pelo caminho.
O que o Censo revela, no fim, é um setor em transição.
Menos improvisado. Mais estruturado. Mais consciente.
Mas ainda distante de um modelo econômico sólido.
E talvez aqui esteja o ponto central.
O mercado não precisa apenas de mais clientes.
Precisa de melhores modelos de negócio.
Precisa de gestão de verdade.
Precisa de precificação com margem.
Esse não é um desafio isolado das agências.
É uma agenda do ecossistema.
Das empresas, que precisam amadurecer suas relações comerciais.
Porque, no fim, não existe setor forte com empresas operando no limite.
O Censo mostra um mercado que evoluiu.
Mas ainda não resolveu o básico.
E talvez o maior risco seja exatamente esse.
Confundir evolução com maturidade.

