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IA vira “terapeuta” para jovens hiperconectados
18 de Março de 2026

IA vira “terapeuta” para jovens hiperconectados

Busca por autenticidade e conexões reais ganha força em meio à saturação tecnológica

Apesar de ser a geração mais conectada da história, a Geração Z enfrenta um paradoxo: altos níveis de interação digital coexistem com sentimentos crescentes de solidão. Ao mesmo tempo em que incorporam a inteligência artificial ao cotidiano, esses jovens também demonstram preocupação com seus efeitos psicológicos e sociais.

O desejo por conexão humana

“Mais da metade dos jovens da Geração Z afirma sentir solidão e desejar relações mais profundas”, segundo Alex Sowash, diretora de contas do grupo de bens de consumo e estilo de vida da The Nursery Research & Planning. “E esse número ainda é inferior ao registrado entre aposentados”, afirmou ela durante a recente conferência MRS Gen A-Z (Londres, fevereiro de 2026).

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Com o desaparecimento de espaços tradicionais de convivência, como centros juvenis, e a maior permanência de jovens dentro de casa, as interações migraram para ambientes digitais, como redes sociais, grupos de mensagens e jogos online.

Ainda assim, há uma demanda significativa por contato presencial. Segundo a pesquisa da The Nursery, 45% dos adolescentes afirmam preferir interagir pessoalmente com amigos, mais do que o dobro dos que optam por interações digitais.

A atração e a rejeição da IA

Os jovens de hoje estão “claramente e de forma mensurável terceirizando muitas das características centrais do que significa ser humano”, afirmou Jonny Freeman, professor de psicologia na Goldsmiths, Universidade de Londres, durante o evento; “seja na regulação emocional e no desenvolvimento emocional, na formação da identidade, na expressão da identidade ou na expressão criativa.”

Dados indicam que 43% dos entrevistados afirmam, em alguns momentos, sentir que chatbots de inteligência artificial os compreendem melhor do que outras pessoas. Além disso, mais de um terço recorre a esses sistemas como primeira opção em situações de estresse.

Por outro lado, dois terços dos jovens demonstram preocupação com os impactos da IA sobre indivíduos, sociedade e meio ambiente. Entre os principais receios estão a substituição de empregos e o aumento das desigualdades sociais.

Também cresce a percepção de que conteúdos gerados por inteligência artificial são menos autênticos e carecem de originalidade. Nesse contexto, conteúdos guiados por algoritmos corporativos vêm sendo rejeitados em favor de uma cultura mais participativa, na qual os próprios usuários constroem e selecionam suas referências.

Esse paradoxo é válido?

A Geração Z e, em seguida, a Geração Alpha, estão se desenvolvendo em um cenário de mudanças aceleradas, no qual processos fundamentais da formação individual são mediados por plataformas digitais e algoritmos. Ainda assim, há um movimento de resistência, marcado pela busca por autenticidade e experiências mais genuínas.

Diante das pressões das redes sociais, como a busca constante pela perfeição, muitos jovens têm adotado estratégias próprias, como o uso de perfis privados, onde podem se expressar sem a interferência de métricas ou algoritmos.

Em um contexto global de instabilidade contínua, descrito como “perma-crise”, também cresce o interesse por conteúdos escapistas e plataformas imersivas, como Roblox, que permitem maior autonomia e expressão individual.

O cenário reforça uma tendência: embora profundamente conectada, a Geração Z busca, cada vez mais, reconectar-se com experiências reais, autênticas e significativas.

Foto: Freepik

Fonte: WARC

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