Presidente da ABAP comenta iniciativa pela IV Congresso de Publicidade
29 de Novembro de 2007

Presidente da ABAP comenta iniciativa pela IV Congresso de Publicidade

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19/11/07

???Durante o IV Congresso, estamos dispostos a discutir regras, normas, mudanças, futuro e qualquer outro tema???

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Na semana passada, a ABAP ??? Associação Brasileira de Agências de Publicidade, com o apoio das demais entidades representativas da indústria da comunicação, convocou o tão esperado IV Congresso Brasileiro de Publicidade, que irá acontecer em maio do ano que vem, na cidade de São Paulo, quase 30 anos depois do terceiro.

Realizar um congresso não é tarefa simples. A enorme complexidade de sua organização é compatível com a sua importância histórica.

O I Congresso, ocorrido no Rio de Janeiro em outubro de 1957, praticamente formatou e regulamentou a atividade no Brasil e foi em seus anais que se inspirou a Lei 4.680 que até hoje rege a indústria da publicidade em nosso país.

O II Congresso aconteceu na cidade de São Paulo em fevereiro de 1969 e, assim como o primeiro e o terceiro, teve a massiva participação de todos os interessados na indústria: agências, meios de comunicação, fornecedores de serviços especializados e anunciantes. Foi no II Congresso que se concordou e legitimou, por exemplo, as regras de cessão de direitos por tempo limitado para os talentos profissionais em produções sonoras. Foi também no II Congresso, em comissão coordenada por Francisco Monteleone, diretor da Rádio Santo Amaro de São Paulo, que se legitimou o atual sistema de incentivos às agências, a BV ??? Bonificação de Volume, discutida e aprovada pelo plenário.

O III Congresso, de abril de 1978, ocorrido em São Paulo, mesmo tendo aprofundado discussões da maior importância para a indústria, será sempre lembrado como o Congresso que deu origem ao CONAR, motivo de orgulho para a indústria da comunicação e que deveria servir de espelho para tantas outras atividades neste país.

Nunca é demais lembrar, até porque há muita gente que teria a obrigação de saber e não sabe, que o CONAR em seus 27 anos de vida já julgou aproximadamente 8.000 peças publicitárias, determinou a alteração de 2.500 delas e suspendeu a veiculação de 1.700 outras. Eu não saberia mencionar uma outra indústria que, por decisão, esforço e recursos próprios tem tamanho respeito pelo consumidor e pela sociedade.

O IV Congresso terá desafios gigantescos. Somos hoje uma indústria muito maior e muito mais complexa.

A indústria da comunicação publicitária movimenta anualmente cerca de R$ 31 bilhões, nas atividades relacionadas a propaganda, promoções, marketing direto, pesquisas, mídia exterior, rádio e televisão. Movimenta mais R$ 21 bilhões em produção gráfica publicitária, edição e impressão de jornais, revistas e outras publicações (IBGE). ?? formada por mais de 4.000 agências certificadas pelo CENP, que empregam diretamente por volta de 40.000 profissionais e de maneira indireta um número incontável de profissionais liberais. Existem hoje no Brasil aproximadamente 150.000 jovens estudando alguma forma de comunicação e, desde o encerramento do III Congresso, calculamos em 900.000 os que se formaram em comunicação.

Números que os ávidos por estabelecer proibições à liberdade de expressão comercial também não sabem.

E, ao contrário do que alardeiam alguns, o interesse pela publicidade continua crescendo. Somente no ano passado, mais de 55.000 empresas veicularam publicidade em mais de 900 emissoras de TV aberta e 60 canais por assinatura. Foram mais de 3.700 emissoras de rádio e, considerando apenas os números de IVC 3.785 jornais e 3.640 títulos de revistas. 34.000 cartazes foram colados a cada bi-semana em 18.000 pontos de outdoor. A internet cresce excepcionalmente e encontra na publicidade um grande suporte econômico. São milhares de sites que disputam um universo de mais de 25 milhões de internautas.

E a busca pela publicidade, a única ferramenta de marketing que incentiva vendas, agrega valor e margem e fortalece marcas, cresce em todo o tipo de empresa, inclusive as pequenas e micros, como prova o programa ???Comunicar e Crescer??? da ABAP, que já foi procurado por 25.000 em 46 cidades de todo o país.

Eis aí o tamanho do desafio que temos pela frente. Por esta razão, antes de convocar o IV Congresso, a ABAP preparou-se estreitando relações com as demais entidades representativas de nossa indústria, formando uma diretoria nacional envolvida e ativa, contando com 18 capítulos que participam e influem na entidade, com um conselho consultivo da maior representatividade, com um novo Código de ética mais moderno e abrangente e com um Conselho de ??tica, a ser anunciado no próximo dia 4, cuja qualidade supera qualquer expectativa.
Alguns me perguntam se iremos discutir o envolvimento de agências no mensalão, outros me perguntam como iremos evitar este tema doloroso. Não vamos fazer nem uma coisa .

Não é verdade que a corrupção seja própria de um tipo de negócio. A corrupção é própria de um tipo de gente.

Também não é verdade a suspeita do TCU de que o formato da indústria possa facilitar o ilícito. Parece que no Brasil nos dedicamos a mudar a regra fraudada, do que a punir aqueles que a fraudaram. Hoje, por exemplo, fala-se em pedir a anulação do Decreto 4.563/02, como uma das formas de dificultar os ilícitos ocorridos no escândalo do mensalão de 2005. E agora descobre-se que, basicamente as mesmas pessoas utilizaram esquema idêntico em 1998, muito antes de o mercado ter se auto-organizado na forma oficializada pelo Decreto 4.563. Não foi a regra, foram as pessoas.

De qualquer forma, durante o IV Congresso, estamos dispostos a discutir regras, normas, mudanças, futuro e qualquer tema que possa objetivamente contribuir para que as empresas continuem tendo a seu dispor a mágica da publicidade. Para que todas as pessoas que investiram para ter um futuro na publicidade não sejam desapontadas. E para que a sociedade possa continuar desfrutando dos benefícios mais sagrados da publicidade: desenvolvimento econômico e acesso a informação livre e independente.

Nos vemos lá.

Dalton Pastore
Presidente da ABAP-Associação Brasileira de Agências de Publicidade

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