O Brasil entra em 2026 com a inteligência artificial amplamente presente no ambiente corporativo, mas ainda longe de explorar todo o seu potencial estratégico.
Cerca de 9 milhões de empresas brasileiras, o equivalente a 40% do total, já utilizam algum tipo de IA, após uma expansão de 29% em apenas um ano, segundo o estudo Unlocking Brazil’s AI Potential 2025, realizado pela Amazon Web Services (AWS) em parceria com a Strand Partners.
Apesar da rápida disseminação, o uso da tecnologia permanece concentrado em aplicações elementares. A maior parte das empresas recorre à IA para chatbots, automações simples e apoio pontual a processos, enquanto apenas uma parcela mais restrita conseguiu incorporar a inteligência artificial de forma estruturada às operações centrais do negócio.
“Os dados mostram que o Brasil conseguiu escalar a adoção da IA, mas ainda enfrenta um desafio relevante na maturidade do uso”, observa Clayton da Costa, da DataPlai, empresa especializada em análise de dados e inteligência artificial aplicada ao contexto empresarial e no monitoramento da adoção da tecnologia no mercado brasileiro. “Há um contraste claro entre o volume de empresas que usam IA e o número das que conseguem extrair valor estratégico dessa tecnologia.”
Mesmo com limitações na profundidade da adoção, os impactos econômicos já são expressivos entre as organizações que utilizam plataformas de IA. O levantamento aponta que 95% das empresas registraram aumento de receita, com crescimento médio de 31%, enquanto 96% observaram ganhos de produtividade. Esses resultados ajudam a explicar o otimismo para o próximo ano: 89% das companhias que já utilizam IA esperam crescer ainda mais em 2026.
A distribuição desses ganhos, porém, é desigual. O estudo mostra que 62% das empresas brasileiras ainda estão no estágio básico de uso da IA, restrito a automações simples, enquanto 26% alcançaram um nível intermediário de integração. Apenas 12% operam a tecnologia de forma considerada transformadora, com impacto direto sobre produtos, serviços e modelos de negócio.
As startups aparecem como o grupo mais avançado nesse processo. Entre elas, 29% já utilizam IA em nível avançado e 31% afirmam criar novos produtos ou serviços baseados diretamente na tecnologia, índice significativamente superior ao observado em empresas de maior porte e em setores mais tradicionais da economia.
“O risco é a formação de uma economia em dois níveis”, avalia Clayton da Costa. “De um lado, empresas que conseguem integrar dados, modelos e processos e passam a inovar com IA. De outro, um grande contingente que permanece restrito ao uso operacional, sem capturar o potencial total da tecnologia.”
Entre os principais entraves à evolução do uso da IA no país estão a falta de qualificação digital, apontada por 48% das empresas, e os custos de compliance, que chegam a representar US$ 24 a cada US$ 100 investidos em tecnologia da informação. Também pesam a insegurança regulatória e a percepção de custo elevado para ampliar o uso da tecnologia, fatores que afetam empresas de todos os portes.

Foto: Freepik (Divulgação)
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