O Guarda Digital, plataforma brasileira de cofre digital e planejamento de legado, anuncia oficialmente o lançamento de sua operação ao consumidor final.
A plataforma permite que famílias organizem documentos, senhas, ativos digitais, desejos funerários e mensagens pessoais, com entrega controlada a guardiões e beneficiários previamente designados pelo titular. O lançamento ocorre em um momento decisivo para o tema no Brasil: a reforma do Código Civil, em tramitação no Senado, deve regulamentar pela primeira vez a herança digital no país.
Diferentemente das soluções existentes no mercado nacional — em geral focadas em testamento eletrônico isolado ou em inventário pós-óbito —, o Guarda Digital opera com uma proposta integrada. A plataforma reúne, em um só ambiente, o cofre criptografado, a curadoria de instruções práticas para a família, o planejamento posterior à perda e a rede de pessoas de confiança que recebem acesso no momento certo. A arquitetura usa Shamir’s Secret Sharing para distribuição da chave-mestra entre guardiões e o serviço de custódia da empresa, garantindo que nenhuma parte sozinha possa acessar o conteúdo do titular.
A operação do Guarda Digital no consumidor final entra ao ar em maio de 2026 com integração à Caixa Assistência. A parceria adiciona aos planos pagos coberturas assistenciais — entre elas auxílio funeral, telemedicina, cuidado pet, farmácia e nutrição — operadas pela Caixa Assistência. No modelo, o Guarda Digital atua como Controlador dos dados sob a LGPD, e a Caixa Assistência como Operadora dos serviços assistenciais.
Contexto regulatório
O lançamento ocorre em sintonia com o debate legislativo nacional. O Projeto de Lei 4/2025, em tramitação no Senado Federal desde janeiro de 2025, propõe a atualização de mais de 900 artigos do Código Civil e a inclusão de cerca de 300 novos dispositivos, entre eles a criação de um capítulo específico sobre direito civil digital. O texto reconhece bens digitais — contas em redes sociais, senhas e arquivos com valor econômico — como integrantes da herança, mantendo proteção à privacidade das mensagens pessoais do falecido.
A Comissão Temporária do Senado tem prazo final para parecer em 29 de junho de 2026, com votação prevista para a primeira semana de julho de 2026, abrindo, na sequência, a tramitação na Câmara dos Deputados. Para o Guarda Digital, a discussão pública sobre o tema reforça a urgência prática vivida por famílias que hoje precisam tratar de bens digitais sem regras consolidadas — situação que a plataforma busca organizar antes mesmo da lei entrar em vigor.
Sobre o produto
O cofre do Guarda Digital armazena cinco categorias de itens: documentos, senhas, desejos funerários, mensagens pessoais e instruções para pets. Cada item pode ser configurado para liberação a guardiões específicos. A entrega aos guardiões usa um modelo de duas camadas — PDF e WhatsApp — para garantir que o material chegue mesmo em cenários de canal indisponível. A infraestrutura roda em Microsoft Azure, com Azure Key Vault para gerenciamento de chaves e mascaramento de dados pessoais antes de qualquer integração com modelos de linguagem.
Em desenvolvimento e com previsão de implementação ainda em 2026, o módulo de Planejamento Póstumo guiará o titular pela construção de um manual completo para a família: mapa financeiro (seguros, previdência, INSS, FGTS, imóveis), mapa digital (contas e plataformas), documentos jurídicos (DAV, testamento e codicílio) e o bloco de memória e afeto, com cartas pessoais, plano funeral e tributo de vida.
Foto: Magnific
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