Na semana passada, estive presente no Mídia Santa Catarina, cujo tema foi “O profissional de mídia e os negócios de mídia”. Talvez o tema tenha sido responsável pela ausência de alguns agentes importantes do mercado da comunicação. Não, não foi o tema. Foi o natural desinteresse desses agentes. Bastava ler a programação para ter uma noção da importância do evento para o mercado (da forma mais ampla que pudermos entender a palavra “mercado”).
Há outro detalhe importante que pode ser a explicação para essas ausências: o seminário não ocorreu no eixo Rio-São Paulo. Ocorreu em Santa Catarina, mais especificamente em Florianópolis. E pegar o carro para ir até o centro da cidade é muito mais difícil do que pegar um avião e ir até outro Estado. Não há tempo para assistir palestras de 50 minutos, mas arruma-se para 1 hora e meia só de voo até o Rio de Janeiro.
Lamento, caros anunciantes, mas vocês perderam a chance de saber onde gastar seu suado dinheiro. Se tivessem assistido ao menos uma das 8 palestras , saberiam que quando o profissional de mídia da sua agência te recomenda investir em Mídia Out of Home, não significa comprar uma TV de LED e colocar do lado de fora da sua empresa. Você teria visto que aqui no Brasil, esta é uma das mídias que mais cresce (32% no último ano). Saberia também que em termos de visibilidade é UMA DAS, ou talvez A mídia que oferece maior visibilidade nos grandes centros. E refletiria, inclusive, se é adequada ao seu negócio.
E quando o Mídia da sua agência ou o Marketing da sua empresa te disser que o mais interessante é estar presente no show da Joss Stone do que comprar 30 segundos no intervalo da novela das 21h da Globo, Sr. Anunciante? Você vai chamar o profissional de louco? Provável. Porque você não estava lá para ver, através dos cases apresentados, que estar presente num evento é uma oportunidade de gerar experiência com o consumidor, de aproximá-lo de sua marca de forma interativa e quase natural. Isso! Ele mesmo! Con-su-mi-dor. Aquele que compra seu produto/serviço.
E vocês, queridos publicitários? O que estavam fazendo de tão importante que perderam a chance de exercitar suas mentes pensando em novas formas de comunicar? Tenho um palpite: estavam atendendo seus clientes, que demandavam anúncios de meia página e passaram os 2 últimos dias da semana querendo tudo para ontem e pedindo aquela modificaçãozinha básica na arte (que, no fim, muda até o conceito). Ou estavam ligando para a gráfica de 10 em 10 minutos para saber se o material ficaria pronto até as 18h. Ou passaram horas argumentando que aquela ação promocional custa um pouquinho mais que um spot de rádio, mas que o resultado da ação justifica o investimento. E sabe por que você perdeu essas horas, gastou seu vocabulário cheio de termos in english e, ainda assim, teve que botar o spot na pauta? Porque você não o convidou para uma reunião diferente.
Se tivesse pego o contratante pela mão e o levado até uma das palestras do Mídia SC, poderia ter sido diferente. Se ele não é tão acessível assim, a ponto de estender a mão, você poderia ter apelado para o aspecto financeiro. Poderia ter sugerido que, juntos, fossem buscar soluções mais econômicas e inovadoras de anunciar. Sentados lado a lado, você poderia ter dito “por isso que achamos desnecessário postar aquele vídeo que seu sobrinho fez, lembra?”, quando um dos palestrantes colocou que a viralização não dá para ser programada. Poderia ter justificado o post que não teve mais de 1.000 compartilhamentos, como ele esperou que fosse acontecer, ao ouvir que as pessoas não compartilham espontaneamente em suas redes porque gostam da marca, mas porque gostam de seus amigos.
Você, criativo, poderia ter saído um pouco da rotina de fazer exatamente aquilo que seu cliente pede. Se tivesse perdido 1 hora do seu dia lotado de prazos indecentes, teria concordado que não rola usar o mesmo comercial, cuja produção foi supercara, para exibi-lo na TV e na tela digital instalada em ônibus. “Mas isso é óbvio!”, você vai me dizer. E eu vou te dizer que é óbvio AGORA que você tá com o navegador aberto, lendo alguma coisa que não seja a tal da pauta e o brief sempre incompleto, onde as palavras mais importantes são “prazo” e “verba”, ambas sempre menores do que biquíni de Panicat.
Se tivesse ido no Mídia SC, certamente teria engrossado seu argumento de que no ônibus a linguagem é outra, o tempo do anúncio é outro, a mensagem é outra. Lembraria de quando o palestrante disse que “mídia Out of Home é cinema mudo” e poderia propor algo de, no máximo, 15 segundos que prendesse o espectador e gerasse interação, mesmo sem áudio. Só que eu não te vi por lá. Também não vi seu cliente. Nem o dono da sua agência. Nem o Atendimento. Então pode ser que o fantástico mundo rádio/TV/ jornal/web continue sendo seu habitat. Pode ser. Não é uma condenação, muito menos uma certeza. Não é uma crítica. Apenas uma possibilidade.
Agora vai lá. Chega de ler tanta bobagem e vá se dedicar ao que realmente interessa, gente. Anunciantes, preocupem-se com suas reuniões, relatórios e extratos. Publicitários, atenção para o prazo, cuidado que a semana é curta porque tem feriado e não se esqueça de mudar o fundo e o texto daquele e-flyer. Afinal, quem é essa idiota que acha que quem não foi no Mídia SC é desinformado? A internet tá aí, cheia de www que diz tudo o que foi dito no evento e apresenta outras tantas informações muito mais atuais e inovadoras do que tudo o que foi visto nesses 2 dias. Quem é essa pessoa que tá se achando a mais bem informada da galáxia só porque assistiu meia dúzia de palestras cheia de coisa que tá todo mundo careca de saber.
A pessoa que escreve é apenas uma das que, daqui a 6 meses, vai ouvir publicitários, anunciantes e veículos reclamarem que o mercado da comunicação catarinense ainda tem muito a evoluir. Que vai ouvir anunciante questionando “Por que minha agência não pensou nisso antes?”, quando vir aquele resultado incrível do seu concorrente. Que vai ouvir agência reclamando que o cliente não entende nada de digital e que não aceita as novidades e vive na mesmice. Que vai ver veículo acusando os mídias de não saberem vender algo além de jornal/rádio/TV. Que vai presenciar todos juntos reclamando que em Santa Catarina não tem eventos de qualificação que traga informações relevantes para o mercado.
E todos perderão tempo reclamando. Falando em tempo… Quando será mesmo o Mídia SC 2013?
Nota: vale salientar que não estive no evento somente porque estou freela e tenho tempo administrável. Muitas das pessoas que se fizeram presentes são profissionais ocupadíssimos. Tinha até daqueles exemplares de terno e gravata! Vi também alguns poucos anunciantes e outros poucos publicitários que se fizeram presentes enquanto deu tempo, mas fizeram questão de ir.

