
O AcontecendoAqui e a Vocali Comunicação efetivaram uma parceria que contempla o compartilhamento dos principais insights captados em Lisboa, durante o Web Summit 2025, pelos três sócios da empresa: Clarissa Antunes, Rachel Sardinha e Antônio Sardinha. A empresa especializada em comunicação corporativa tem sede em Florianópolis e esteve em Lisboa em busca de conhecimento, atualização e, também, para apresentar a Be SmartAgents, uma spin off da Vocali, focada em agentes de IA, convidada a expor no evento.
Aqui no AcontecendoAqui você pode acompanhar a Série Especial – WS25 – com a publicação de seis matérias com os principais conteúdos e tendências captados em Lisboa, durante o Web Summit 2025.
Hoje, a matéria 2, que tem como autora a jornalista Clarissa Antunes*, cofundadora da Vocali. Aproveite.
Entre os muitos painéis que acompanhei no Web Summit Lisboa 2025, um em especial me chamou atenção pela força com que traduz o novo tempo da comunicação corporativa — a era em que crises escalam e ganham holofotes no mundo todo em questão de minutos.
A crise em questão começa como um roteiro pronto para viralizar:
– um show do Coldplay;
– uma “kiss cam” (câmera que flagra beijos na plateia);
– um casal de executivos exposto no telão;
– e, dias depois, um vídeo com a atriz Gwyneth Paltrow.
O episódio, digno de tabloides sensacionalistas, jogou uma empresa de tecnologia até então discreta para o centro de uma discussão global. Privacidade, comportamento corporativo, limites da exposição pública e cultura pop se misturaram em uma crise que saiu das redes e virou conversa de bar, de jornal e de sala de reunião — em todos os continentes.
Tamanha relevância fez o assunto virar tema de um debate no último dia do evento. Nick Shapiro (profissional de Relações Públicas reconhecido por gerenciamento de crises, inclusive a que envolveu a atriz Blake Lively), Allison Braley (executiva de comunicação, marca e marketing da Bain Capital Ventures), e Alice Chan (fundadora da Flock Marketing, empresa focada em marketing estratégico para startups) destrincharam o caso — e mostraram como marcas devem agir quando se envolvem em crises de proporções gigantescas.
Quando a crise transcende a empresa
Logo no início do painel Nick e Allison falaram sobre o momento em que acordaram com o celular explodindo de mensagens sobre o caso. E tiveram certeza: não era uma questão interna. A crise tinha todos os ingredientes de viralização:
● emoção
● entretenimento
● celebridades
● surpresa
● e uma internet repleta de engajamento.
Esses fatores juntos mudam completamente o tipo de resposta necessária. A solução encontrada foi quase contraintuitiva: abraçar o caos – com humor, estratégia e inteligência narrativa.
A empresa lançou um vídeo (abaixo) com Gwyneth Paltrow para responder à crise — uma escolha estratégica e cheia de simbolismo, já que ela foi casada por mais de uma década com Chris Martin, vocalista do Coldplay, justamente a banda do show onde tudo começou. Essa conexão tornou a participação dela ainda mais inesperada, relevante e altamente viralizável. No vídeo, ela abre mencionando os 300 colaboradores da empresa, reposicionando o foco, humanizando a narrativa e devolvendo o controle à marca de forma leve, criativa e eficaz.
O resultado impressionou:
● +50% no pipeline de vendas
● aumento global de reconhecimento
● o melhor trimestre da história
● time interno engajado e orgulhoso
Ou seja: a crise virou oportunidade. Mas, como reforçaram no painel: isso só funciona quando a crise é de cultura pop e com características como essa, com natureza em relacionamentos humanos. Não existe “vídeo com celebridade” para vazamentos de dados, fraudes ou acidentes, por exemplo.
Todos ressaltam que 90% da gestão de crise é mapear quem são os stakeholders e o que cada um precisa saber. Só depois vem a ideia criativa.
Perguntas-chave:
● Quem é afetado?
● O que já sabem?
● O que precisam saber agora?
● Quem deve falar primeiro?
● Qual é a mensagem central?
Sem isso, qualquer ação vira ruído.
Crise na velocidade da era digital
Os palestrantes foram unânimes: o ambiente atual é mais desafiador do que nunca. Hoje lidamos com:
● prints falsificados
● perfis fake se passando por funcionários
● declarações distorcidas
● deepfakes cada vez mais precisas
● viralizações orgânicas em minutos
Agilidade sem estratégia gera mais crise. Estratégia sem agilidade perde o timing. E o equilíbrio entre as duas só existe com preparo.
O coração da crise: o time interno
Em qualquer cenário de crise, os colaboradores devem ser o primeiro público a ser protegido e informado. Uma equipe mal informada é combustível para especulações – e para jornalistas e influenciadores atentos no X e no TikTok. Nesta crise, o orgulho do time foi um dos maiores ativos da resposta.
E a IA nisso tudo?
Ferramentas como ChatGPT ajudam a estruturar mensagens, organizar informações e até testar cenários. Mas ainda não entregam:
● ousadia criativa
● sensibilidade política
● leitura de contexto humano
● timing emocional
Ou seja: IA apoia, mas não lidera uma estratégia de crise.
O erro mais comum hoje: o silêncio
A velha orientação de “não se pronuncie” não funciona. O silêncio cria vácuo – e o vácuo vira narrativa externa. No fim, como o painel reforçou, crise se resolve com ação, estratégia e coragem. E, acima de tudo, com comunicação clara, honesta e rápida.
*Clarissa Antunes é jornalista e especialista em comunicação corporativa, com mais de 20 anos de experiência na construção de reputação e posicionamento estratégico. Atua no desenvolvimento de narrativas, conteúdo e ações de PR para marcas nacionais e internacionais. É diretora-executiva da Vocali, agência focada em comunicação integrada e relações públicas.
Imagens: Vocali
Entre em contato com o AcontecendoAqui se tiver interesse em divulgar seus trabalhos para a Comunidade AcontecendoAqui. Envie um e-mail para [email protected]
