
Da esquerda para a direita: Rachel Sardinha, Clarissa Antunes e Antônio Sardinha
O AcontecendoAqui e a Vocali Comunicação efetivaram uma parceria que contempla o compartilhamento dos principais insights captados em Lisboa, durante o Web Summit 2025, pelos três sócios da empresa: Clarissa Antunes, Rachel Sardinha e Antônio Sardinha. A empresa especializada em comunicação corporativa tem sede em Florianópolis e esteve em Lisboa em busca de conhecimento, atualização e, também, para apresentar a Be SmartAgents, uma spin off da Vocali, focada em agentes de IA, convidada a expor no evento.
Aqui no AcontecendoAqui você irá acompanhar a Série Especial – WS25 – com a publicação de seis matérias com os principais conteúdos e tendências captados em Lisboa, durante o Web Summit 2025.
Estreia
No capítulo de hoje, você confere o registro de Rachel Sardinha com a publicação intitulada “Web Summit Lisboa 2025: tecnologia mais humana, grandes números e tendências que já estão moldando o presente”.
O próximo conteúdo será publicado no dia 26/11, quando mostraremos “O que o caso Coldplay ensina sobre comunicação corporativa”, matéria produzida por Clarissa Antunes. E na sexta Antonio Sardinha fala sobre a experiência de expor no maior evento de tecnologia do mundo com a Be SmartAgents.
por Rachel Sardinha*
De 10 a 13 de novembro eu e meus sócios estivemos imersos num dos maiores eventos de inovação do mundo: o Web Summit Lisboa 2025. Acompanhamos conversas, palestras, debates e provocações que ajudaram a entender para onde a tecnologia, a comunicação e o marketing estão caminhando. Este é o primeiro de uma série de seis artigos assinados pela Vocali especialmente para o Acontecendo Aqui sobre os principais insights do evento.
Durante quatro dias, mais de 71 mil pessoas de 157 países se reuniram na capital lusitana para apresentar e debater sobre criatividade, inteligência artificial, inovação, tecnologia, comportamento, metodologias empresariais, marketing e outros assuntos. E, mesmo com tanta diversidade de temas, uma percepção pareceu constante: estamos entrando na fase mais humana da tecnologia.
Na fala de abertura, o CEO e idealizador do evento, Paddy Cosgrave, trouxe uma provocação que resumiu bem o espírito de muitas das soluções e discussões que foram abordadas nos palcos do Web Summit: “a maior disrupção deste século não será tecnológica, mas sim sobre como escolhemos tratar uns aos outros.”
Além de refletir sobre a humanidade, Cosgrave destacou três movimentos que estão redesenhando o cenário tecnológico: o avanço da China no setor (principalmente em inteligência artificial); o declínio da “era da tecnologia ocidental” e o crescimento acelerado de países que até então não tinham protagonismo algum na área (como a Polônia); e as inovações nos sistemas de pagamento — citando o Pix (é do Brasil!) como uma das principais revoluções financeiras do mundo.
Mais global do que nunca
Os números impressionam e ajudam a dimensionar o impacto do Web Summit Lisboa.
Foram 2.725 startups de 108 países, com IA e machine learning liderando como a principal vertical das startups expositoras. Um dado importante: 40% desses novos negócios têm fundadoras mulheres, um avanço relevante num ecossistema historicamente masculino.
A edição 2025 também bateu recorde de investidores: foram mais de 1.800 provenientes de 86 países — um salto de 74% em relação ao ano passado. Nos quinze palcos, cruzaram-se mais de 890 palestrantes, entre nomes influentes de tecnologia, cultura, negócios, conteúdo e até de governos.
A noite de abertura contou ainda com painéis com Maria Sharapova (tenista e empresária), Anton Osika (fundador da Lovable) e Khaby Lame (o criador de conteúdo com maior número de seguidores no Tik Tok no mundo). Inteligência artificial, inovações tecnológicas e, claro, conteúdo foram os temas abordados, mostrando que esses assuntos iriam dominar não só os palcos, mas também os corredores e os estandes do evento.
Tendências para direcionar os negócios
O Web Summit pode ser considerado um termômetro para a previsão do que vai moldar o comportamento e o mercado (e o comportamento do mercado). Neste ano, não foi diferente. Dentre tantos temas abordados, alguns deles estavam presentes em diversas sessões da programação e nos chamaram a atenção com mais consistência.
1. Inteligência artificial como infraestrutura de trabalho
Até pouco tempo atrás, discutíamos se valia a pena testar a IA; agora, a discussão é como integrá-la de forma eficiente aos processos existentes nas empresas de todos os setores. Para áreas de comunicação e marketing, o impacto é direto: ferramentas generativas, agentes especializados e fluxos automatizados já fazem parte do dia a dia e agilizam o trabalho. O desafio passa a ser governança, precisão e alinhamento ao posicionamento de marca.
2. Humanização X hiperautomação
Se, por um lado, a automação cresce, por outro, o valor da presença humana fica ainda mais evidente. A busca por experiências ao vivo dominou diversos debates, reforçando a importância de conexões reais em um mundo saturado de telas. As pessoas escolhem marcas, conteúdos e líderes que parecem autênticos e próximos: mais do que apenas seguir ou consumir, o público quer se sentir parte de algo.
3. Conteúdos crus, espontâneos e imperfeitos
Entre os criadores e profissionais de marketing, uma tendência interessante foi citada em painéis e palestras: quanto mais natural e espontâneo for o conteúdo, maior o engajamento. Vídeos sem edição, gravações sem tratamento e bastidores reais superam as superproduções, pois vulnerabilidade e espontaneidade criam confiança.
Para marcas e lideranças, é hora de repensar o excesso de detalhes e recortes escolhidos a dedo e voltar a conversar de forma mais natural. A autenticidade conecta, dá a sensação de pertencimento e de nos espelharmos em “gente como a gente” (de todas, essa foi a tendência com que mais me identifiquei, por isso vou detalhar melhor esse assunto no próximo artigo).
4. Força das comunidades
Comunidades bem cuidadas entregam valor contínuo, engajamento e retenção (e comunidades, aqui, vão além de grupos online). Em vez de depender apenas de “audiências” amplas e voláteis, empresas que investem na comunicação com grupos menores ou nichados tornam-se mais relevantes e geram alto nível de identificação (lembra do pertencimento citado no item 3?).
Essa mudança também reorganiza o papel dos criadores de conteúdo, que passam a ser ponte entre clientes e as narrativas das marcas. Ou seja, se você é do tipo que só olha para a performance no marketing, é preciso repensar as estratégias, priorizando criar e manter relacionamentos duradouros. A tendência é que isso aumente o tíquete-médio dos clientes, inclusive tornando muitos deles verdadeiros fãs e advogados de marca.
5. Simplicidade e inclusão nas soluções
Um dos exemplos citados não só na abertura, mas em outros painéis do Web Summit Lisboa foi o Pix: uma solução local que virou referência global por resolver um problema geral com simplicidade, escala e inclusão. Esse destaque reforça uma mensagem importante: inovação não precisa ser complexa; ela precisa ser útil.
Em um cenário de hype constante e novidades surgindo a cada segundo, as ideias que realmente impactam são as que resolvem necessidades reais e oferecem acesso fácil e simples.
Mais do que inovação
O Web Summit 2025 se destacou por ir além da inovação. Percebemos que comportamentos verdadeiros, simplicidade, ritmo e relações entre pessoas e empresas são o caminho para o crescimento. Essas tendências apontam para um mesmo lugar: tecnologia e comunicação mais integradas, mais humanas, mais estratégicas e mais orientadas para uma conexão real.
*Rachel Sardinha, sócia e cofundadora da Vocali, é jornalista de formação e possui MBA em Marketing. Há mais de 20 anos atua no mercado da comunicação corporativa com foco em assessoria de imprensa e marketing, ajudando empresas a contar boas histórias e a ganhar visibilidade, autoridade e reconhecimento.
Imagens: Vocali
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