por Cleyton Hort, empresário e CEO da Lyncas
Quando pensamos em inovação, é impossível não lembrar do aeronauta e inventor brasileiro Alberto Santos Dumont, que em 1901, sobrevoou Paris com seu dirigível nº 6. Sua trajetória foi tão marcante que o Dia Nacional da Inovação, celebrado em 19 de outubro, presta homenagem ao seu legado e ao espírito inventivo brasileiro. Curiosamente, a data também marca o Dia do Profissional de TI, uma coincidência que faz todo sentido, já que esses profissionais compartilham o mesmo impulso transformador de Santos Dumont, convertendo desafios complexos em resultados reais.
Minha trajetória em TI começou em 1995 e, ao longo dos anos, acompanhei avanços que redefiniram a tecnologia. Um momento decisivo foi a democratização da informação, em 1998, quando conheci o Google. Ele foi um divisor de águas. Outro destaque foi a chegada dos smartphones, da tecnologia IoT (Internet das Coisas) e da computação pervasiva em massa, exemplificada pelos smartwatches, que ampliaram a forma como nos conectamos e produzimos.
A inteligência artificial se firmou como um marco dessa trajetória evolutiva, potencializando processos que moldam o mundo há décadas. Um levantamento da Michael Page indica que 68% dos profissionais de TI brasileiros já utilizam IA em suas funções, evidenciando sua rápida incorporação no cotidiano corporativo. Apesar desse avanço, não surpreende que essa tecnologia ainda desperte certo ceticismo.
Muitas empresas entram no hype sem identificar problemas reais ou oportunidades de melhoria. Eu costumo dizer que a IA não veio para substituir, mas para potencializar. Ela se tornou o meu co-piloto: acelera processos, amplia produtividade e transforma talentos operacionais em estrategistas. Em um mercado competitivo, essa velocidade não é luxo, e sim diferencial, o que permite que as organizações se mantenham à frente em um cenário em constante transformação.
Podemos comparar a IA a grandes ondas de transformação do passado. A era dos CDs e DVDs cedeu lugar aos serviços de streaming, que nos permitem acessar música e vídeo instantaneamente. Passamos de câmeras analógicas para digitais e, agora, a IA nos leva a novos patamares de eficiência e inovação. Mas a essência permanece: a tecnologia é uma ferramenta de potencialização humana, não um substituto.
Minha experiência me ensinou que inovação e estratégia corporativa caminham juntas. Quando conectamos ganhos tecnológicos ao core business, geramos resultados concretos. Cada projeto bem-sucedido não é apenas sobre tecnologia, mas sobre como ela impacta negócios e pessoas. Para os profissionais de tecnologia, o futuro não espera. Ser dono da própria carreira, estudar continuamente e aprender com os mais experientes são atitudes indispensáveis. Humildade e curiosidade são ativos estratégicos tão importantes quanto qualquer tecnologia emergente.
Mesmo fora de datas comemorativas, é sempre oportuno celebrar os profissionais que tornam a inovação possível. Santos Dumont nos legou a coragem de voar além do horizonte; hoje, a inteligência artificial nos oferece a chance de ampliar nossas capacidades e repensar a forma como trabalhamos, criamos e competimos. Para quem está na linha de frente da tecnologia, cada dia é uma oportunidade de pilotar o futuro, mantendo o olhar atento às lições do passado.
Foto: Rodrigo Arsego.
