Exposição mostra arte do cristal em Blumenau
16 de Outubro de 2007

Exposição mostra arte do cristal em Blumenau

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16-10-07 – O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular / IPHAN / Ministério da Cultura vai inaugurar no dia 18 próximo, quinta-feira, às 17h, na Sala do Artista Popular, a exposição "Artesão maçariqueiro: a arte do cristal em Blumenau", com venda de objetos produzidos em cristal pelos artesãos Elias Anaor Etur e Luciano José Ferreira, de Blumenau. A mostra é uma realização do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN/Ministério da Cultura em parceria com a Prefeitura Municipal e a Fundação Cultural de Blumenau, com o apoio do Solar de Santa, Rio de Janeiro, e ficará em cartaz até 18 de novembro.

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O repertório desenvolvido pelos maçariqueiros – como são chamados os artesãos que modelam as esculturas, tendo como instrumento de trabalho o maçarico com que derretem os bastões de cristal, matéria-prima do trabalho – é bastante amplo, abrangendo modelos de animais que, juntando grandes e pequenos, formam "famílias" de toda espécie, como elefantes, cachorros, gatos, galinhas, patos, cisnes, golfinhos, sapos, siris, peixes, além de árvores com frutas ou pássaros, miniaturas de louça doméstica, vasos, jarros, pratos, etc.

Na linha de utilitários modelam mexedores de coquetel, identificadores de copos e porta-talheres para mesa. Por ocasião do Natal são os anjos e os presépios as peças que mais fazem. Elaboram também peças especiais como lembranças para casamento, formatura, festa de 15 anos, aniversário, troféus para campeonatos esportivos e vários modelos de chinezinhos, palhaços, pescadores e muitas outras figuras. Elias e sua mulher Adriana vêm desenvolvendo uma linha de jóias em que fundem folha de ouro ao cristal, resultando em peças de fino acabamento e grande beleza.

Em Blumenau, associa-se a origem da produção de objetos em cristal a Alice Hering, descendente de alemães, que importou a tecnologia da lapidação da Alemanha e, em 26 de setembro de 1951, abriu a primeira fábrica no município, a Cristais Oertel, posteriormente denominada Cristais Hering Ltda. A partir dela outras indústrias do ramo cristaleiro surgiram no município, constituindo-se em verdadeiras escolas para artesãos, que nelas adquirem conhecimento e gosto para transformar a matéria-prima em objetos em cristal, trabalho que, mesmo nas indústrias, é, em essência, manual. Os operários, que se organizam em equipes denominadas "praças de serviço", desempenham funções específicas às quais se atribui a nomenclatura pela qual são denominados: soprador, bolador, carregador, destacador, segurador de bola, gambista, colhedor, passador, colhedor de prensa, prensador, abridor de jarra, colhedor de alça e artesão.

Os maçariqueiros aparecem após o estabelecimento da indústria, sendo dela decorrentes. Transformada em escola de artesãos, a indústria forma mão-de-obra que, uma vez especializada e afastada do trabalho fabril, volta-se para desenvolver o ofício em oficinas de fundo de quintal onde o trabalhador passa a ter então domínio total sobre sua produção.

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