O setor de tecnologia de Santa Catarina somou R$ 42,5 bilhões de faturamento em 2024, expandindo sua competitividade no cenário econômico regional e do Brasil.
O estado catarinense ultrapassou o Rio Grande do Sul e chegou à 5ª colocação no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
A alta no faturamento do segmento em 2024 foi de 11% no ano, superando a média nacional (7,7%), resultado que amplia a participação do setor no PIB estadual para 7,75%, a terceira maior entre os estados brasileiros, e acompanha o ritmo ascendente dos últimos cinco anos: desde 2020, o setor registrou alta de 15,7% em sua participação no PIB estadual. Em faturamento per capita no segmento, Santa Catarina também se destaca com R$ 5,2 mil por habitante, atrás apenas do Distrito Federal, São Paulo e Amazonas.
No cenário nacional, o setor de tecnologia no Brasil faturou R$ 813,2 bilhões em 2024, representando alta de 7,7% em relação ao ano anterior. Olhando para todos os estados, Sergipe, Acre, Amapá e Rondônia se destacaram com crescimentos acima de 30%. Já entre os 10 estados de maior expressão no segmento, Ceará (+20,5%), Paraná (+18,7%), Bahia (+15,6%), Distrito Federal (+11,8%), Santa Catarina (11%) e Minas Gerais (+10,8%).
Os números inéditos fazem parte de estudo divulgado pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) durante o Startup Summit, que ocorre de 27 a 29 de agosto, em Florianópolis (SC). O Observatório ACATE 2025 conta com dados coletados pela Neoway e informações extraídas de fontes públicas, trazendo um panorama do segmento tecnológico de todo o Brasil e um recorte mais detalhado para Santa Catarina.
Avanço estrutural
A alta no faturamento veio acompanhada também de crescimento no número de empresas de tecnologia. Santa Catarina registrou a maior elevação proporcional no volume de negócios no setor no último ano, com alta de 6,2%, enquanto São Paulo (-0,4%), Rio de Janeiro (-4,5%) e Rio Grande do Sul (-1,2%), apresentaram retração. Com 29,4 mil negócios ativos, o estado agora ocupa a 6ª colocação nacional em número absoluto de companhias de tecnologia.
“Santa Catarina tem demonstrado que o crescimento do setor de tecnologia não é um fenômeno pontual, mas sim o reflexo de uma construção consistente, baseada em qualificação de talentos, incentivo ao empreendedorismo e um ambiente colaborativo entre academia, setor produtivo e poder público”, analisa o presidente da ACATE, Diego Brites Ramos. Para o executivo, os resultados do estudo mostram não apenas o desempenho positivo do setor, mas revelam um avanço estrutural do ecossistema de inovação catarinense. “O fato de liderarmos o crescimento no número de empresas, mesmo em um ano de retração nacional, reforça a resiliência do nosso ecossistema. E mais: com 98 mil vagas de emprego previstas para serem abertas no setor estadual até 2027, precisamos continuar investindo em formação e retenção de profissionais para sustentar esse avanço”, completa.
Os dados têm como fonte principal o Sistema de BI do Observatório ACATE, desenvolvido pela entidade com base em dados levantados pela Neoway e fontes como a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). O levantamento contempla a quantidade de empresas em atividade, faturamento, número de empreendedores e trabalhadores. As atividades econômicas que identificam o setor seguem a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0), e se dividem em Hardware, Software e Serviços.
Cenário nacional
Apesar de perderem percentual de participação nos últimos quatro anos, São Paulo e Rio de Janeiro continuam como os estados que mais faturam no setor de tecnologia. Em número de empresas no segmento, São Paulo soma 222 mil (em 2023 eram 223 mil), com um faturamento total de R$ 376 bilhões por ano. O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição, com faturamento de R$ 68 bilhões, embora tenha reduzido o número de empresas para 51.879 (em 2023 eram 54.316), sendo ultrapassado por Minas Gerais, que chegou a 51.885 empresas, após alta de 0,15% em relação ao ano anterior.
Os estados que tiveram maior ganho de participação econômica no ano passado foram Paraná (+0,53 p.p.), Ceará (+0,29 p.p.) e Santa Catarina (+0,28 p.p.). Assim, a participação do faturamento de São Paulo e Rio de Janeiro, que já totalizou 57%, em 2018, agora é de 54%.
Postos de trabalho
O relatório do Observatório ACATE mostra que Santa Catarina também segue em ascensão quanto à geração de empregos. Foram 100,4 mil postos de trabalho ativos no setor em 2024, número que coloca o estado como o 3º maior polo de empregos em tecnologia no Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. A taxa de crescimento (+7,2%) foi mais que o dobro da média nacional (+3,4%).
O dinamismo catarinense também se reflete na remuneração média dos profissionais de tecnologia, que chegou a R$ 5.768, valor quase duas vezes maior do que o salário médio em setores tradicionais como comércio e construção. Além disso, o estado tem uma das maiores taxas de empregabilidade formal em tecnologia: 39,5 empregos para cada mil trabalhadores, ocupando a 3ª posição nacional nesse indicador.
Futuro da tecnologia
A projeção para os próximos anos é ainda mais ambiciosa. Até 2030, Santa Catarina prevê atingir 140 mil empregos no setor, com um faturamento estimado de R$ 68 bilhões, representando quase 10% do PIB estadual. O estado também busca consolidar um papel relevante no atendimento da demanda nacional por profissionais, com expectativa de abertura de 98 mil vagas até 2027, 44 mil delas apenas para desenvolvedores.
Apesar dos avanços, o estudo aponta desafios, como o baixo índice de digitalização dos setores tradicionais da economia catarinense, que ainda limita o aproveitamento mais amplo das soluções tecnológicas disponíveis. A integração entre indústrias convencionais e o setor de inovação é vista como essencial para garantir um crescimento sustentável.
“Com um ambiente favorável à inovação, profissionais qualificados, alto índice de formalização e crescimento contínuo mesmo em um cenário de desaceleração nacional, Santa Catarina consolida sua posição como uma das referências do setor de tecnologia no Brasil, sendo um polo estratégico não apenas para o Sul, mas para todo o país”, conclui Ramos.
Os dados completos estarão disponíveis em observatorioacate.com.br.
Foto: Freepik
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