Publicidade
Como Moreira da Silva ensinou
13 de Agosto de 2012

Como Moreira da Silva ensinou

Publicidade
1. Era só um churrasco. Simples, mas divertido. Lá estávamos Antunes Severo, Chico Socorro, Emílio Cerri, Júlio Pimentel, Picolé ,eu e respectivas esposas.

Causos, histórias, piadas, rolavam o tempo todo. Como toda vez     que publicitários se reúnem, publicidade veio à baila. E quando veio, surgiu uma chuva de críticas.

“A publicidade está uma merda”, alguém disse, com a concordância geral.

Publicidade

“A gente critica, mas será que somos capazes de fazer melhor.”

A pergunta soou como um desafio. Fez-se um silêncio, como se todos parassem para pensar, até que alguém respondeu:

Diante da surpresa geral, o autor da pergunta continuou: estão surpresos por quê? Temos aqui criativos, planejadores, mídia, especialistas em marketing digital. Gente que conhece profundamente o mercado. Só nos falta coragem.”

“Você tem razão”, interrompeu alguém,  “Somos capazes e podemos provar.”

Pronto: estava nascendo ali uma nova agência. Com 420 anos de existência, se somarmos a idade média dos presentes. E com, no mínimo, 360 anos de experiência.

Emílio logo pulou para o centro da roda:

“Chico, você está encarregado de apresentar pra nós, daqui a uma semana, um brief de grande anunciante catarinense.”

“Qualquer um?”

“Qualquer um.”

2. Quem conhece o Chico Socorro, sabe que ele não brinca em serviço. Por isso, ninguém se surpreendeu quando, uma semana depois, no local e hora combinados , ele estava lá com o brief. Passado diretamente pelo anunciante.

Discutimos, então, estratégia, táticas, mídia tudo. E partimos para colocar tudo no computador.

E tem mais uma coisa”, disse o Chico. “O anunciante quer conhecer nossa proposta. Daqui a quinze dias. Se aprovar, a conta é nossa.”

“Ué, e a dele?

“Ele está infeliz. Reclama que ela não consegue inovar em nada.”

Disse que a Agência chega lá levando campanhas próprias para vender  uma Ferrari ou um imóvel super luxuoso, quando ele só precisa de um franguinho bem preparado.

“Coisa simples”.

3. Foram quinze dias de muito trabalho, um monte de pizzas e refrigerantes, de vez em quando um uisquezinho. Mas a campanha ficou pronta no prazo. Comerciais simples e saborosos como franguinhos na panela. Anúncios inovadores. Material de ponto de venda de encher os olhos. Estratégias e ações digitais inusitadas. Tudo sob um conceito brilhante, amarrado por uma ideia fora de série.

Dia e hora marcados, lá estávamos nós. Emílio e Severo assumiram o comando da apresentação e deram um show. Cada peça apresentada era recebida com aplausos pelo anunciante,

“Parabéns”, disse o anunciante. “A conta é de vocês.”

Justo na hora em que acorde

4. Etelvina (o que é, Morengueira?)

  1. Acertei no milhar!
    Ganhei quinhentos contos (milhas), não vou mais trabalhar
    você dê toda roupa velha aos pobres
    e a mobília podemos quebrar
    (breque)
    “Isso é pra já, vamos quebrar. Pam, pam, bum, etc…”
    Etelvina vai ter outra lua-de-mel
    você vai ser madame
    vai morar num grande hotel
    eu vou comprar um nome não sei onde
    de Marquês Morengueira de Visconde
    um professor de francês mon amour
    eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour
    Até que enfim agora sou feliz
    vou passear a Europa toda até Paris
    e nossos filhos, oh, que inferno
    eu vou pô-los num colégio interno
    me telefone pro Mané do armazém
    porque não quero ficar devendo nada a ninguém
    e vou comprar um avião azul
    para percorrer a América do Sul
    mas de repente, derrepenguente
    Etelvina me acordou está na hora do batente
    mas de repente, derrepenguente
    – Se acorda, vargulino! Saia pela porta de trás que na frente tem gente.

Foi um sonho, minha gente!” (Samba de breque Acertei no Milhar. Autor e intérprete: Moreira da Silva)

Publicidade
WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter


    Publicidade